segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Maldades ficcionadas

"Uma pessoa que se vê por dentro e não topa os seus defeitos tem um problema a resolver, acho. Eu tenho um truque para fazer as personagens negativas das minhas histórias, que é insuflar-lhes os meus defeitos e temores".
Rui Zink

Excerto da entrevista que o escritor deu ao Portal da Literatura, em 31/08/2009. Na íntegra aqui.


Deve ser tremendamente divertido criar personagens mauzinhos, e dar largas às nossas maldades recalcadas e aos nossos defeitos contidos no papel. Sem prejuízo de ninguém. Deve ser catárquico e hilariante. Se fosse actriz adoraria representar uma vilã.

domingo, 30 de agosto de 2009

4 citações e os poemas que troco por um beijo

“A generosidade da poesia está na liberdade que as palavras conquistam, para dizerem apenas o que nos apetece ouvir.”
 Isabel Stilwell
 
“A poesia é a matemática dos sentimentos. Ou seja, as emoções expressam-se de um modo muito preciso. Não podemos permitir-nos colocar uma vírgula fora do lugar e as palavras têm de estar no sítio certo.”
Tahar Ben Jelloun
 
“A poesia é outra forma de apreensão do real. Foi Novalis que disse que a poesia é o real absoluto. O que eu acho é que, ficcionando, chega-se mais perto da realidade, da essência das coisas.”
Manuel Alegre
 
"Troco um poema por um beijo. Nem que seja um poema extraordinário. A vida é mais importante que a escrita"
                                                                                                                José Luís Peixoto

Eu também troco qualquer poema, por mais extraordinário que seja, por um beijo de quem amo, mesmo que se trate de um beijo de todos os dias. Não há matemática poética, por mais exacta que seja, que supere a intangível beleza de certos momentos vividos. Quando mais intensos mais intraduzíveis são, mesmo que se trate da ciência das palavras que alcançam mais longe e tocam mais fundo...mesmo assim...
 
Se o meu amor me exigisse um poema passaria as noites a escrever pelo beijo de cada manhã!:)


O que estou a ler...





Persuasão, de Jane Austen. Adoro as heroínas de Jane Austen!

"É em «Persuasão», o último romance acabado de Jane Austen, que encontramos a sua heroína mais notável - Anne Elliot. Sobre ela escreveu, um dia, a autora: "ela é quase demasiadamente boa para mim." No entanto, naquela que é a sua obra mais amadurecida, que descreve uma órbita de afastamento nítida em relação ao tom predominantemente satírico dos seus anteriores romances, Austen trata o carácter e os afectos da protagonista de uma forma que, sem perder totalmente de vista a ironia é, sem sombra de dúvida, muito mais terna, e anuncia já uma percepção mais aberta e dinâmica da personalidade e comportamentos humanos. Uma história de amor, desenvolvida com profundidade e subtileza, proporciona o campo ideal para um estudo refletido, que sustenta na sua linha de horizonte o complexo relacionamento entre os dois sexos, e no qual homem e mulher surjem como seres moralmente análogos".

Uma verdade


Frase de Art Buchwald.
"As  melhores coisas da vida não são coisas".

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Eu quase não compro jornais...


...porque vou assinando os feeds de vários sites de jornais. Continuo a recorrer aos mesmos jornais mas na edição digital. Não suja as mãos e não mata as árvores. Não dá tanto jeito é para limpar os vidros!:)
Sou capaz de passar sem o jornal mas nunca sem um livro.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Não era mordida por um vampiro há mais de dez anos...

... quando li Entrevista com um Vampiro, de Anne Rice.

“Antes do casamento não há dentada”

"Tudo começou com “Crepúsculo”, primeiro volume de uma saga amorosa entre uma humana e um vampiro. Quatro livros, escritos por Stephenie Meyer, para já um filme (e agora um DVD) estão a atrair os adolescentes de todo o mundo. Nesta história de vampiros não há sexo antes do casamento. É uma visão da América do pânico pós-sida tornado discurso repressivo".
 
Isabel Coutinho em Ciberescritas
 
Primeiro vi o filme em família. Gostei. Quis saber o que se passaria a seguir. Comprei O Crepúsculo - o livro, entusiasmei-me e li os outros três de seguida, no total de quatro grandes calhamaços que devorei durante estas férias de Verão.
 
A escrita não é sofisticada nem de uma simplicidade bela. Abundam as repetições. Pelo menos a edição portuguesa tem muitos erros. Esta saga está rotulada como sendo para raparigas adolescentes com hormonas aos saltos... e mesmo assim eu agarrei-me a ela e adorei!
 
Normalmente, seduzem-me os livros não tanto pelo que dizem mas pela forma como o dizem. A beleza do discurso sobrepõe-se à forma como a história se desenrola. Ao contrário do que me acontece na vida real, no mundo literário tendo a apaixonar-me mais pelas palavras do que pelas acções. :)))
 
Esta Saga Luz e Escuridão arrastou-me para dentro da sua acção criada com muita imaginação e sensibilidade e sentou-me ao lado dos seus personagens bem construídos.  
 
Mas há realmente um propósito moralizante na história. Existe um cheirinho a conto de fadas, com o atraente (mas demasiado controlador e sufocante) vampiro Edward Cullen como digno príncipe encantado, a donzela inocente permanentemente em apuros e a precisar diariamente de ser salva, dois cavalheiros apaixonados que lutam por ela (um vampiro e um lobisomem) , dicotomias entre vampiros bons e maus, uma enorme tensão sexual entre Bella e Edward apenas resolvida depois do casamento, o legítimo nascimento de uma filha culminando num final feliz  e na certeza de um amor eterno.
 
 
E não sei dizer se foi apesar disto ou por tudo isto que adorei! :)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Puxando o fio da narrativa...

...tecendo um enredo...


...juntando as pontas soltas...

...com cuidado, subtileza, 
não se vá desprender o sentido, 
perder-se o remate, 
desatar a inspiração...


É preciso dar um nó apertado no "FIM".





Pinturas em acrílico de Erin Cone.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Melusina e as promessas que os homens não cumprem

Este excerto é do início do romance The White Queen, de Philippa Gregory. Não li este ou qualquer outro livro da autora, mas estes primeiros parágrafos chamaram-me à atenção, especialmente porque gosto da figura mitológica de Melusina. Leiam e vejam se não abre o apetite!

"In the darkness of the forest the young knight could hear the splashing of the fountain long before he could see the glimmer of moonlight reflected on the still surface. He was about to step forward, longing to dip his head, drink in the coolness, when he caught his breath at the sight of something dark, moving deep in the water. There was a greenish shadow in the sunken bowl of the fountain, something like a great fish, something like a drowned body. Then it moved and stood upright and he saw, frighteningly naked: a bathing woman. Her skin as she rose up, water coursing down her flanks, was even paler than the white marble bowl, her wet hair dark as a shadow.

She is Melusina, the water goddess, and she is found in hidden springs and waterfalls in any forest in Christendom, even in those as far away as Greece. She bathes in the Moorish fountains too. They know her by another name in the northern countries, where the lakes are glazed with ice and it crackles when she rises. A man may love her if he keeps her secret and lets her alone when she wants to bathe, and she may love him in return until he breaks his word, as men always do, and she sweeps him into the deeps, with her fishy tail, and turns his faithless blood to water.

The tragedy of Melusina, whatever language tells it, whatever tune it sings, is that a man will always promise more than he can do to a woman he cannot understand".

Fonte: BookDaily, onde podem ler um pouco mais do primeiro capítulo deste livro, em inglês.

A bibliotecária das fantasias de muitos...


A famosa fantasia masculina sobre a mulher que é bibliotecária durante o dia, austera e resguardada, transbordando competência literária e que, de repente, ao cair da noite, atira com os óculos, solta o cabelo e ganha uma sensualidade esfomeada e feroz...:))))

Esta divertida fantasia fica aqui ilustrada pelo trabalho de
Kelly Thompson.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A esta estante até dá gosto limpar o pó!!! Hihi!!! / Naked bookcase :)


Bonnet: a biblioteca enquanto paraíso terrestre

Excertos do fantástico texto Bibliomanias , do Bibliotecário de Babel:
"As pessoas obcecadas por livros tendem a gostar de livros sobre outras pessoas obcecadas por livros. A bibliofilia não é apenas uma doença crónica; é também contagiosa. Ao lermos sobre as grandes bibliotecas pessoais – com dezenas ou centenas de milhares de volumes – aspiramos a uma igual desmesura, subitamente embaraçados com a pequenez, a desordem e as lacunas da dúzia e meia de estantes lá de casa. Melhor dito: as pessoas obcecadas por livros tendem a gostar de livros sobre outras pessoas ainda mais obcecadas por livros do que elas. E foi por isso que devorei de uma assentada o ensaio breve de Jacques Bonnet intitulado Des bibliothèques pleines de fantômes (Denoël, 2008, 138 páginas).
(...) para Bonnet a biblioteca é o que mais se aproxima da ideia de paraíso terrestre. Ela é um «concentrado de tempo e de espaço», protege da «hostilidade exterior», como se fosse um útero, e confere «um sentimento de poder absoluto». Rodeado pelos seus livros, o bibliómano nunca se sente desamparado. Sabe que tem, sempre ao seu alcance, os instrumentos necessários para interpretar a realidade. E não lhe falem da Internet e suas infinitas reservas de informação. Por muito que se encontre por lá tudo o que se queira saber, quase instantaneamente, ela é «desprovida de fantasmas», diz Bonnet, falta-lhe a dimensão «divina».A maior parte do ensaio centra-se nas alegrias e tormentos de quem possui uma biblioteca «monstruosa», com dezenas de milhares de livros. E não faltam histórias incríveis. Como a de Antoine-Marie-Henri Boulard (1754-1825), que encheu nove prédios, adquiridos expressamente para receberem os seus 600 mil livros – após a sua morte, ao venderem a colecção, os filhos inundaram o mercado, baixando durante muitos anos os preços nos alfarrabistas. Ou a de Charles-Valentin Alkan, pianista virtuoso que morreu esmagado por uma estante, em 1888, o que o habilita ao estatuto de «santo mártir» dos bibliófilos. Ou a daquele condenado à guilhotina que continuou a ler enquanto o conduziam ao cadafalso e, chegada a hora, marcou a página onde estava, antes de entregar o pescoço à lâmina. "
Leia na íntegra aqui.
Vou ter que ler este livro! Espero que haja tradução para português ou inglês porque o francês não é o meu forte.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

"Quem terá sido o gajo que teve a ideia peregrina de inventar a frase que diz que, para que a tua vida seja completa, terás de cumprir três tarefas: «plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro»? Cheira-me a rigor germânico ou a sabedoria oriental, que é como quem diz: uma chinesice qualquer. Eu sei que quem inventou o descanso foi um grande homem. Agora, inventar adágios sem pensar nas consequências? Isso até eu.Plantar uma árvore, ainda vá que não vá, no meio de tanto caroço cuspido, algum deve ter germinado. Ter um filho, quem quiser assumir um monte de responsabilidades, com um bocadinho de sorte e a colaboração de outra pessoa, a coisa faz-se. Agora, escrever um livro? E se eu não tiver nada para dizer? E se não me apetecer dizer nada? Melhor: e se o que tiver para dizer não interessar nem ao menino Jesus? Sou menos completo do que os outros que já o fizeram? (...) E porque não, em vez de escrever um livro, escrever num blogue? Eh pá! Espera aí… O gajo se calhar até tem razão, falhou foi na terceira hipótese. Sinto-me tão completo... "
Divertido texto de Jaime Bulhosa do Pó dos Livros, um blogue onde se lêem episódios da vida de um livreiro...muito bem escritos. Recomendo.
E este post tirou-me um peso dos ombros...É que eu também estava atrapalhada com a parte do livro...porque as duas primeiras condições já as cumpri e mais do que uma vez...agora o livro... claro que quem inventou a famosa frase nem sequer sonhava com os blogues...assim, também já me sinto completa !!! :)))) Ufa, que alívio!

Quem quer ler a Anatomia de Gray? / Who wants to read Gray's Anatomy?



Um livro aberto...:)
...do genial ilustrador David Goldin, que constrói as suas ilustrações a partir de objectos concretos, tridimensionais.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Porque é que os homens gostam tanto de ler aos quadradinhos? / Men, comic books and graphic novels


Parece que o corpo cresce, a altura das prateleiras aumenta, mas o gosto pela banda desenhada mantém-se!!!

Homens aracnídeos, extraterrestres giros mas com pouco sentido de moda, heróis mutantes aparentados de lobos, monstros verdes... sofrem invariavelmente de hipersensibilidade a criptonite, donzelas em apuros e/ou vilões que querem dominar o mundo... detém super-poderes extraordinários que advém de exposições a radiações ou a experiências de cientistas alienados ...ah, e são geralmente tímidos, fogem dos paparazzi e tentam a todo o custo manter o anonimato.

Isto é uma provocação para o meu marido e o meu cunhado...:))))

Ok, pronto, eu confesso: adoro Calvin e Hobbes, Agnes, Zits, Baby Blues, Garfield...E sou um espécimen leitor do sexo feminino! Pronto, já disse! :)))

Incógnito / Nobody knows



segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Tão lindo e tão verdade! / Lost in my imagination...

 s.id.

When my imagination
Takes me by my mind,
It leads me off so far, so fast,
My body's left behind.
Yet, that's when I am most myself,
Lost in wish and dream,
And coming back, I smile and think
I'm more than I might seem.
Sesame Street
By David Korr

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Leituras de Verão / Summer readings


Posted by Picasa

RAP homenageia Raúl Solnado

Ricardo Araújo Pereira escreveu sobre o recentemente falecido Raúl Solnado, um actor que marcou a minha infância:


"Solnado era uma criança sensata, como Falstaff, o herói cómico de Shakespeare, mas sem os seus pavorosos defeitos ­ o que, humoristicamente, era uma desvantagem para Solnado. É muito mais difícil ter graça quando os defeitos não estão à vista e as qualidades são tão evidentes. A ternura não tem piada. A generosidade também não. E, no entanto, Solnado era terno e generoso. Há várias comédias famosas sobre avarentos, misantropos e hipocondríacos, mas não muitas sobre o tipo de pessoa que se percebia que Solnado era. Conseguir ser humorista apesar daquelas virtudes é mais do que problemático: é quase uma falta de ética.

Philip Larkin escreveu que a coragem não isenta ninguém da sepultura: a morte não é diferente para os que a temem ou para os que a enfrentam. Certo. Mas a vida é. A vida é mais vida para quem se ri da morte do que para quem a teme. Raul Solnado viveu bem. E, por causa dele, todos vivemos melhor".


Este é apenas um excerto. O texto na íntegra está aqui.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Zits e o Facebook


Zits é impagável! Sobre as agruras dos pais de um adolescente de hoje, viciado em ecrãs, telemóveis, mp3 ou mp4, computadores, sms, redes sociais, messenger...um retrato hilariante da geração polegar! De Jerry Scott & Jim Borgman.

sábado, 8 de agosto de 2009

Tá tudo dito!




"Se a tua mente não é aberta, fecha a boca também"
"Mai nada!"
(Uma frase de Sue Grafton, aqui ilustrada por Ceó Pontual).

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

"Os gatos são palavras com pêlo."



«Os gatos são palavras com pêlo. Os gatos, como as palavras, rondam à volta dos humanos sem nunca se deixarem domesticar. É tão difícil meter um gato num cesto quando temos um comboio para apanhar do que ir à nossa memória caçar a palavra exacta e convencê-la a tomar o seu lugar na página em branco. Palavras e gatos pertencem ambos à raça dos inefáveis.»
[in Dois Verões, de Erik Orsenna, trad. de Luís Ruivo Domingos, Teorema, 2009]


"Inefável, que significa o que não pode ser expresso verbalmente, é um termo utilizado para identificar algo de origem divina ou transcendente e com atributos de beleza e perfeição tão superiores aos níveis terrenos que não pode ser expresso em palavras humanas".
Fonte: Wikipédia

Este blogue não é só do cão. Aqui também há gato! E muitas, muitas palavras... na vã e patética tentativa da aproximação ao inefável...e na admiração dos que menos patéticos do que eu, deste mais se aproximam. Como os gatos.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Acabei de ler... e já comecei...

...Coraline de Neil Gaiman: lê-se bem (também era melhor, trata-se de um livro para crianças!)... a minha filha leu-o primeiro e gostou. E eu fiquei curiosa sobre este género para mim novo de livros de terror para crianças...

Adoro livros para crianças, sou completamente louca e infantil na secção mais jovem de uma livraria! E sou exigente com as ilustrações!


De Neil Gaiman, gostei muito mais de Stardust, assumido pelo autor como um conto de fadas para adultos (com direito a assassinatos violentos, a sexo e tudo). Li a versão inglesa ilustrada por Charles Vess ainda antes de aparecer a versão cinematográfica que achei ficar aquém do livro.


E já comecei a ler O Crepúsculo, de Stephanie Meyer, depois de já ter ouvido falar muito quer da série de livros quer do filme. Vi primeiro o filme e gostei. Lembrou-me Anne Rice e a sua Entrevista com um Vampiro, do qual também vi o filme em 1994 e depois li o livro.

Sou um bocado esquisita com vampiros...não gosto de todos. :) Se gostar do filme, então marcha o livro!



Alguém tem sementes destas? / Good seeds



É que era mesmo desta que eu me ida dedicar à fruticultura!!!


A imagem é de Soizick Meister.

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