quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Mini-estante


Pode parecer um monte de livros suspensos no ar por algum truque de magia "Harry Potter's fashion" ou colados à parede (o que não é muito prático) mas na verdade trata-se de uma mini-estante com a aparência de um livro: "Ceci n'est pas un livre". Pois não, é uma prateleira S.E.L.F. Shelf. E está disponível em três modelos: romance, livro de bolso e "cookery" (não arrisco a tradução porque pode sair asneira!). Muito criativo! Mais informações em Skylla.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Oito citações de António Lobo Antunes sobre as mulheres e o amor

Esquecer uma mulher inteligente custa um número incalculável de mulheres estúpidas.
fonte: Livro de Crónicas, 1998

É mais sensual uma mulher vestida do que uma mulher despida. A sensualidade é o intervalo entre a luva e o começo da manga.
fonte: Diário de Notícias, 09.11.2004
Ninguém é bom ou mau na cama. Se há um problema sexual, é outra coisa, mas senão há problemas concretos, basta que se goste muito de uma mulher; se isso acontece, ela é a melhor na cama..
fonte: Conversas com António Lobo Antunes, de María Luisa Blanco, 2002
Teria dificuldade em viver com uma mulher que escrevesse. Eu nunca seria o mais importante na vida dela, viria sempre depois dos livros.
fonte: Diário de Notícias, 17.02.2006

Uma coisa é o amor, outra é a relação. Não sei se, quando duas pessoas estão na cama, não estarão, de facto, quatro: as duas que estão mais as duas que um e outro imaginam.
fonte: Diário de Notícias, 09.11.2004

No amor podemos substituir uma pessoa por outra, mas não na amizade, porque cada amigo tem o seu lugar e não podemos substitui-lo.
fonte: Conversas com António Lobo Antunes, de María Luisa Blanco, 2002

Penso que as mulheres são mais ciumentas do trabalho que das outras mulheres. Mas eu entendo isso. Eu não gostaria de viver com uma mulher que escrevesse porque, se fosse como eu, estaria tão concentrada no trabalho que não existiria mais nada.
fonte: Conversas com António Lobo Antunes, de María Luisa Blanco, 2002
Um escritor é, por natureza, um carenciado de afecto.
fonte: Jornal de Letras, Novembro 1985

Retiradas de www.alaptla.blogspot.pt/p/citacoes.html

A propósito, tenho o livro Conversas com António Lobo Antunes, de María Luisa Blanco e devo dizer que vale a pena ler: António Lobo Antunes é um homem complicado mas fascinante. Recomendo a leitura.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Uma composição feliz de António Drumond

Fotografia de António Drumond, fotógrafo amador português.

"Trata-se de uma composição feliz. Que seja arbitrária ou não, é indiferente: Drumond apreendeu a ligação imediata entre o livro que a jovem da pintura de Veloso Salgado segura com certo enfado e a montra adjacente do Museu [Soares dos Reis]. O vestido negro fabrica um contraste profundo e provoca uma impressionante festa de cores quentes".

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Videojogo para atirar sapatos a Bush




Acho que os jornalistas, especialmente os iraquianos, deviam treinar o lançamento do dardo, a pontaria, fazer musculação...tive tanta pena que os sapatos não tivessem acertado em cheio no alienado mental do Bush!


O que vale é que o britânico Alex Tew me compreendeu (a mim e a mais uns milhões de pessoas) e criou um vídeojogo inspirado na recente agressão do jornalista iraquiano ao presidente dos Estados Unidos em Bagdade.


Este é já um dos mais populares na Internet: mais de dois milhões de sapatos já voaram virtualmente, na direcção do presidente dos Estados Unidos.


Não deixem de visitar o site 'Sockandawe.com' e dêem o gosto ao dedo sem ficarem descalços.



Cartoon de Rodrigo.


E sem apanharem uma valente tareia como aconteceu com o mais recente heroí iraquiano pé-descalço.



sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Humor de Perdição: Castelos Brancos

Caricatura de Camilo Castelo-Branco por Rui Sousa.

Caricatura de José Castelo-Branco por Nelson Santos.



Aconteceu com um livreiro mas poderia ter acontecido também com um bibliotecário. Achei a história de Jaime Bulhosa do Pó dos Livros hilariante:

"Há pessoas que nunca entram numa livraria e quando entram…

- Queria aquele, (Pausa). Esqueci-me agora de repente do nome… como é que se chama? Ah!, já sei, Castelo Branco.

- E qual desejava? O Amor de Perdição, A Queda de um Anjo, Noites de Lamego.

- Não sabia que já tinha tantos! Deixe-me ver…não sei, talvez… O Amor de Perdição, soa-me mais.

- Aqui tem!- Desculpe! Eu queria era o CD.

- Mas…??? O Camilo não tem CD’s.

- Camilo! Mas ele não é José?"



segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Mostra-me a tua biblioteca e eu dir-te-ei quem és...

"Um coleccionador de livros exibe seu acervo com uma mistura de orgulho e pudor. Livros são troféus, porque cada título desejado, encontrado, lido e guardado é uma conquista. Mas os itens de uma biblioteca pessoal são como o conteúdo da carteira, da bolsa, da geladeira – falam sobre você. Sobre a intimidade do seu pensamento, do seu imaginário.

“É sempre um recinto cheio de afectividade e significado”, diz Fernando Modesto, professor do Departamento de Biblioteconomia e Documentação da Universidade de São Paulo. Modesto explica que, além de livros e revistas, uma biblioteca pode abarcar também CDs, DVDs, documentos, álbuns. Tudo que guarde uma lembrança. Mas que também (e esse é o lado “ruim”) ocupa um espaço danado na casa.

Na Antiguidade, o político romano Marco Túlio Cícero escreveu que uma casa sem livros é como um corpo sem alma. Faça o que puder no espaço de que você dispõe – o importante é manter os livros por perto, como parte do cotidiano.

Uma biblioteca doméstica pode ser dispersa, dividida em estações estratégicas pela casa toda. A da bibliotecária e designer (de bibliotecas!) Cláudia Tarpani é assim. Os livros de trabalho estão no escritório. Na sala, ficam os de literatura. Os demais, sobre culinária, jardinagem e decoração, estão numa estante no fundo do corredor.

Mas, se você tiver aí na sua casa um recinto disponível, melhor. Mais espaço para os livros que você já tem – e os que virão. A arquitecta Helena Ayoub, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, explica que um quarto comum pode ser transformado em biblioteca, se tiver boa ventilação.

Você só deve evitar colocar prateleiras onde há incidência directa de luz solar. Mas até isso você pode resolver, com cortinas ou persianas. “Evite também colocar os livros nas paredes do quarto que dão para áreas molhadas da casa – banheiros, cozinha e área de serviço”, diz. Humidade excessiva deteriora os livros".

Fonte: Abril.com.br


Gostei. Tem bons conselhos:

é importante que haja ventilação mas que os livros não estejam expostos à luz directa. A humidade pode ser catastrófica. O pó atraí a bicharada. Mas pode limpar os livros com um pano muito levemente humedecido para que o pó não volte a cair imediatamente sobre eles. Deixe-os arejar e arrume-os na vertical, direitinhos e sem ficarem demasiado apertados.

Uma biblioteca que fique muito tempo isolada, onde não haja circulação de pessoas, pode levar a que os bichinhos se instalem a comer as folhas encadernadas como se fosse tudo deles...arrume os livros no quarto, na sala comum, não os feche a sete chaves...são para ser vividos.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Isto é que é um workshop!

“A mulher vira-se para o marido (namorado, amigo colorido, etc.) e pergunta:
- Vamos a Nova York fazer um workshop?
O marido (namorado, amigo colorido, etc.) responde:
- Como assim?
A mulher responde:
- Tu work, Eu shop!!!”

Fonte: um blogue cujo nome também tem muita piada, Sem Pénis, Nem Inveja.

domingo, 23 de novembro de 2008

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Oito frases de Rui Zink


1."Todos os dias imagino que me divorcio ou quando entro no carro e ponho o cinto imagino um acidente, apenas para que não aconteça"

2."não concebo a escrita como actividade única, é preciso viver fora da escrita para escrever"

3."Para escrever histórias de amor já há o Nicholas Sparks e houve a Barbara Cartland. O que eu faço são visões paranóicas sobre o que se passa à minha volta" - no mundo"

4."Não é preciso que o escritor tenha uma grande sensibilidade, o que é preciso é que o leitor tenha uma grande sensibilidade"

5."Não gosto de dizer tudo, gosto de ir até meio do caminho e esperar que o leitor faça o mesmo. Faz-me espécie que os escritores tratem os leitores como focas, que só servem para bater palmas à genialidade virtuosa."

6."A literatura portuguesa ficou sem uma perna. De um lado temos o Saramago, o Lobo Antunes, os barrocos, do outro havia o Cardoso Pires e agora não há."

7."Os meus livros são como o homem gordo que está na cama com uma mulher de olhos fechados - e que tenha bebido um bocado - e vê a magia do romantismo e, em vez do homem gordo, o Pierce Brosnan."

8."Trabalhar, trabalhar, trabalhar e copiar, copiar muito."



Retiradas de uma entrevista do escritor ao Diário de Notícias, em 19 de Novembro de 2008. Na íntegra aqui.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

E se Obama fosse africano? Por Mia Couto

Recebi este texto por e-mail. Embora seja muito extenso, penso que a sua relevância justifica a sua divulgação.
Eu também suspirei de alívio perante a vitória de Obama. Só arrisco algumas considerações: Obama surge, depois da catástrofe Bush, como uma espécie de Messias perante não só os E.U.A. mas todo o mundo. Estará este homem à altura? Esperemos que sim. Mas tem certamente um árduo caminho pela frente.
Passo agora a palavra a Mia Couto:

"Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.


Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.


Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.


Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.


E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?


1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.


2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.


3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.


4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).


5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.


6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.


Inconclusivas conclusões

Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.


Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.


A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.


Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público. No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África.


No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.


Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia".

Mia Couto, Jornal "SAVANA" – 14 de Novembro de 2008

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A TV vs O Livro: 2 cartoons

Se bem que, nos dias de hoje, não sei se a Internet e toda a panóplia de brinquedos digitais não rivaliza mais com o Livro do que a TV...

Obama vai deixar a Casa Branca mais limpinha!

E Bush volta para de onde nunca devia ter saído!


Cartoon de Rodrigo em Humoral da História, na edição on-line do Jornal Expresso de hoje.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Marilyn Monroe: "books are a girl's best friend"



Marilyn Monroe lendo Ulysses, de James Joyce, em 1954.
Fotografia de Eve Arnold.



Marilyn Monroe no Ambassador Hotel a ler um livro sobre representação, em 1955

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Olha a Padeira de Aljubarrota!

Lá está aquela história de que as meninas bem-comportadas vão para o céu, as mázinhas vão a todo o lado...nem que seja de transportes públicos!

Cá está, a história é tecida não pelas mulheres que ficam em casa a bordar mas por aquelas que rasgam a roupa toda... Não é pela inteligência nem sequer pela beleza, é por ceder ao seu lado selvagem, quebradas as amarras da submissão secular...é por não prescindirem da liberdade...


O Amante, Marguerite Duras e a beleza estrangeira da estrangeira



Acabei há poucos dias de ler O Amante de Marguerite Duras. Um livro triste, sem beleza literária suficiente para sublimar a tristeza. Parece que autobiográfico. A narração é irregula, caótica, confusa a nível temporal.
Há cenas de alguma sensualidade e poesia mas não há intimidade do leitor com as personagens: estas nem sequer têm nomes próprios: fala da adolescente magra de chapéu masculino e sapatos dourados, a mãe sofredora, o irmãozinho que morre, o idolatrado e cruel irmão mais velho, o homem chinês de Cohén…não posso dizer que tenha gostado.
Houve momentos melhores, como a súbita alegria da mãe quando lava a casa perfumada com o “cheiro delicioso da terra molhada depois da tempestade” e a descrição da “estrangeira”, Betty Fernandez (esta ainda tem nome).
“As pessoas param e olham maravilhadas a elegância desta estrangeira que passa sem ver. Soberana. Não se percebe logo de onde ela é. E depois dizemo-nos que não pode ser senão de fora, senão daí. É bela, bela por esta incidência. Veste-se com os velhos trapos da Europa, com restos de brocados, com velhos saia-e-casaco fora de moda, com velhos cortinados, com velhos restos, velhos retalhos, velhos farrapos de alta costura (…) a sua beleza é assim, rasgada, friorenta, soluçante e de exílio, nada lhe fica bem, tudo é grande demais para ela, e é bonito, ela bóia, demasiado magra, nada se lhe ajusta e, no entanto, é bonito. É feita assim, na cabeça e no corpo, de modo que cada coisa que a toca participa desde logo, indefectivelmente, dessa beleza”.
Gosto desta descrição da estrangeira, porque toda a sua beleza é estrangeira, inesperada, diferenciada e no entanto indiscutível. E eu quase que reconheço esta beleza friorenta e demasiado magra, a nadar dentro das roupas vintage em imagens de pessoas que já vi, na sua beleza intelectual.

Para uma opinião distinta da minha sobre este livro podem ler este texto publicado no blogue HÁ SEMPRE UM LIVRO...à nossa espera!

sábado, 18 de outubro de 2008

Ovos quentes


Sempre gostei deles estrelados, brilhantes de gordura, com uma grossa fatia de bacon a acompanhar. E ela parecia ficar um pouco incomodada ao ver-me degluti-los com entusiasmo e até alguma precipitação (o apetite tem as suas urgências, e eu sempre fui um homem de apetites!), enquanto comia os seus cereais com baixo teor de calorias, submersos em leite magro e colmatados por uma pecita de fruta de cultura biológica.

Mariana não tinha uma postura descontraída em relação a nada. Se não fosse aquele seu olharzinho pestanudo de mulher fatal, aquele sinalzinho à Cindy Crawford no canto superior dos lábios carnudos e aquele corpo…ai aquele corpinho de pecado…Mas o que tinha de beleza tinha de contenção beata. Éramos amantes há meses mas não se podia dizer que fôssemos íntimos. É impossível a intimidade para quem a nudez é apenas mais uma forma de vestir. Quando andava nua pelo quarto mantinha a pose de quem desfila sobre uma passerelle. Não contávamos segredos, não entrelaçávamos as mãos, não trocávamos olhares de cumplicidade.

Mas o pior de tudo era a sua miopia sexual. Era uma mulher dogmática na cama, sem imaginação ou liberdade. Sempre que eu propunha uma inovação, uma maneira diferente de tocar, um exercício mais experimental e ousado, levava com uma expressão axiomática do género: “ISSO não faço! É animalesco…é pouco higiénico”. E esta era uma proposição reiterada, sentenciosa e indiscutível. Morria ali a discussão, sem espaço a contra-argumentos! E eu que sempre fui adepto do método científico no vale dos lençoís!

“Eh pá, mas porquê?”, indagava eu, desesperado com a sua sovinice sensual. “Porque não.” E, ao ouvir isto, passava-me uma nuvem vermelha pela vista e crescia em mim a vontade de fazer uma loucura…de rasgar-lhe a roupa sempre impecável…despenteá-la…violá-la…destituí-la daquela pose de diva inatingível que me impossibilitava de a amar verdadeiramente.

Uma manhã, mais uma vez apanhado na ratoeira do mecanismo frustração afectiva – compensação alimentar, fritava os meus ovos na gordura luzidia do bacon quando desceu sobre mim uma epifania de inspiração erótica. Decerto instigado pela versão cinéfila do Kamasutra, essa maravilha da 7ª arte que é Nove Semanas e Meia, resolvi oferecer-lhe o pequeno-almoço na cama.

Ainda dormia, vestida apenas pela rebeldia dos seus cabelos ruivos, a nudez sublinhada pela finura do tecido que a cobria. Levantei lentamente o lençol. Senti o desejo pulsante sublinhado pelo travo picante da profanação. E, devagarinho, como obedecendo a um ritual sagrado, espremi o ovo estrelado, escorrendo entre os meus dedos, naquele umbiguinho de sereia.

Levantou-se de um grito. Olhou para mim como se tivesse tido uma revelação e eu fosse o diabo…

E só guardo na memória aquele corpinho nú, lindo, sem vestígios de celulite, a escapulir-se qual ninfa da Ilha dos Amores, fugindo às mãos mas oferecendo-se ao olhar deste argonauta faminto, sem amor nem pequeno-almoço.

Foi este o episódio que marcou o fim da nossa relação. E ainda hoje me arrependo de não ter deixado arrefecer um bocadinho mais o ovo.

Ana Tarouca

23 Dez. 2000, reescrito em Outubro de 2008

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A gang dos bibliotecários

Batgirl como Bibliotecária, da DC Comics


"Põe-te a pau, ó caramelo, que QUEM SE METE COM OS BIBLIOTECÁRIOS LEVA com umas belas COTAS NA LOMBADA".




Esta frase foi retirada do blogue O Bibliotecário Anarquista. Um texto pleno de humor que me faz sentir com as costas quentes...We're bad! Don´t mess with us, man! Parece que somos um gang organizado, hihi!



Rex Libris, o James Bond das bibliotecas!




terça-feira, 30 de setembro de 2008

"Pra mim, livro é vida", diz Lygia Bojunga



Gemma Aguasca


"Pra mim, livro é vida; desde que eu era muito pequena os livros me deram casa e comida.
Foi assim: eu brincava de construtora, livro era tijolo; em pé, fazia parede, deitado, fazia degrau de escada; inclinado, encostava num outro e fazia telhado.

E quando a casinha ficava pronta eu me espremia lá dentro pra brincar de morar em livro."
Lygia Bojunga

Lygia Bojunga é uma escritora brasileira que, em 1982, recebeu o Prémio Hans Christian Andersen, o mais importante prémio literário infantil, uma espécie de Prémio Nobel da Literatura Infantil, concedido pela International Board on Books for Young People.

Lygia estará amanhã, dia 1 de Outubro, pelas 21h30, na Biblioteca Municipal de Algés, para participar no Serão de Contos.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

O Kama Sutra da Leitura / The Kama Sutra of Reading



Porque ler dá prazer...variem nas posições, nos lugares, nas alturas do dia, nos ditos cujos livros...;)

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Infoexcluída...sniff, sniff...

Vou estar uns dias assim...



...sem internet. Vou ficar a sofrer com os sintomas de abstinência/privação. É que eu sou mesmo "agarrada" à net.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Pequenas coisas que nos fazem senti bem...

...uma boa história. Pode ser um livro, um bom livro, ou simplesmente alguém com o dom de nos envolver na vivacidade com que conta as suas peripécias...há bons contadores de histórias por aí que nem sequer sabem que o são. Tem tudo a ver com generosidade, emoção, honestidade e humor.



Ilustração de Mónica Carretero.


segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Ignácio de Loyola Brandão conta sobre uma paixão enciclopédica por uma bibliotecária

"- Gosta de ler?

- Gosto. E você, gosta de quem lê?

- Sou bibliotecária, livros são minha paixão. Um dia ainda abro uma livraria.

(…)

- Se eu lesse muitos livros? Você me admiraria?

- Claro que sim.

- Quantos livros eu teria de ler?

- Nunca pensei nisso.

- Pois vou ler esta biblioteca inteira. Depois vou passar por todas as outras bibliotecas de São Paulo, do Brasil.. Onde tiver livro, estarei lendo...

Ele se encaminhou para a porta, voltou-se.

- Por você vou ler 1 milhão de livros. Um bilhão. E aí você vai me admirar.

Quase disse 'gostar de mim', se conteve, apenas pensou que ela veria quanto uma paixão move um homem.

- Vou ler 1 trilhão de livros, vou ler todos os livros do mundo.

Liliani fez um aceno de cabeça e pensou: tomando-se a média de 120 páginas por livro e imaginando que ele demore três minutos para ler uma página, lerá um livro a cada 360 minutos, ou seja seis horas. Seis trilhões de horas, calculando por baixo, significam 250 bilhões de dias. Mais ou menos uns 70 bilhões de anos. Acho que não vou esperar, concluiu. Estou com fome. E saiu para o almoço."


Podem ler aqui o conto na íntegra. Trata-se de Conto de Natal à Minha Maneira, ou seja, à maneira de Ignácio de Loyola Brandão. Foi publicado no Jornal O Estado de São Paulo em 22 de Dezembro de 2006.

As bibliotecárias são assim, hihi, despertam paixões avassaladoras! ;)

domingo, 21 de setembro de 2008

"É VERDADE": há programas de televisão que incentivam à leitura

O Man-el partilha comigo o gosto pelas citações de Groucho Marx e ofereceu-me recentemente esta:

"I find television very educating. Every time somebody turns on the set, I go into the other room and read a book."

E bem a propósito desta frase, surge esta semana na Revista Visão, uma convergente de Ricardo Araújo Pereira:

"Confesso que, quando a SIC estreou o programa Momento da Verdade, temi o pior. Julguei tratar-se de mais um produto televisivo aviltante, o que me colocaria um problema difícil. Eu vejo pouca televisão, mas nunca perco um produto aviltante. A televisão tem uma capacidade de aviltar que não é ultrapassada por qualquer outro meio de comunicação e por isso constitui, para mim, a principal fonte de aviltamento. Se tomo conhecimento de que há produtos aviltantes nas grelhas, pego nas pipocas e vou para o sofá ser aviltado. Imaginem o meu alívio quando constatei que o Momento da Verdade é, afinal, serviço público, e o programa mais interessante da televisão portuguesa, quer do ponto de vista ético quer do ponto de vista filosófico. Como é óbvio, um produto com estas características não me interessa. Para isso, vou ler livros."

Não deixem de ler toda a crónica do RAP aqui e depois digam lá se Groucho Marx não sabia mais do que Platão?!


A propósito, no Wikcionário:

a.vil.tar

  1. (verbo transitivo)
    1. tornar vil
    2. desonrar
    3. rebaixar


E um provérbio no Citador:

O carácter verdadeiro não se avilta por dinheiro.

E esta hem!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Fazer da arte o nosso grito...

"Claro que se deve "ganhar a vida" de alguma maneira - mas o essencial aqui é viver. Seja o que for que fizermos, qualquer que seja a opção que escolhamos (talvez todas elas), o o quanto nos comprometamos, devemos orar para nunca confundir arte com vida: a Arte é breve, a Vida é longa. Devemos estar preparados para navegar, nomadizar, escorregar de todas as redes, nunca estabilizar, viver através de várias artes, fazer nossas vidas melhores que nossa arte, fazer da arte nosso grito no lugar de nossa desculpa".

Está no texto Vernissage, um artigo de Hakim Bey. É sobre arte. Alessandro Martins, diz que poderia ser sobre blogues. Eu digo que também pode ser sobre a escrita enquanto criação.


Já agora é bom que se diga que Hakim Bey é o pseudônimo de Peter Lamborn Wilson, (Nova Iorque, 1945), escritor, ensaísta e poeta.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

A necessidade do Silêncio

A autora do blogue Tão Cheia de Tudo. Tão Cheia de Nada deixou-me um comentário, fui visitar o seu espaço e descobri um texto com o qual me identifiquei, especialmente hoje que estou cansada e dorida... Tomo aqui a ousadia de o transcrever sempre, sempre com os devidos créditos à autora, Tânia Rodrigues .:

" Por favor cala-te. Calem-se todos. Deixem o silêncio falar, que eu preciso de o ouvir. Hoje mais do que nunca, não me posso deixar adormecer e ele mantém-me acordada. Por favor desliguem os motores, baixem os estores com cuidado, fechem as portas com vagar, que eu preciso do silêncio para acordar. Escuto o que me diz, sem um pio, sem um som, sem ruído, sem contestar. Com toda a razão, tamanho é o etéreo de uma massa vasta, vazia de agudos e de graves, tamanho o alcance que pode ter quando não tem nada para dizer. Entra devagar pelas frechas das portas, pelos buracos das fechaduras, às costas de um gato, entra devagar e instala-se num canto. Ele sabe esperar. E quando tudo se cala, quando eu preciso, ele sim, começa a falar."


Eu preciso de silêncio para estar aqui a escrever...
Às vezes, sinto esta necessidade do silêncio se bem que a sua ausência se deve a uma vida cheia de pessoas e circunstâncias verdadeiramente imprescindíveis. Mais imprescindíveis que o silêncio.

domingo, 14 de setembro de 2008

Carla Bruni também lê...mas não promete nada.

Carla Bruni Sarkozy, actual primeira dama francesa, cuja vida talvez ainda venha a dar um bom romance, na capa do seu mais recente disco, lançado em 2007.

sábado, 13 de setembro de 2008

Achei mais um cartoon do cão que comeu o livro...

Achei mais um cartoon de um cão a comer um livro, hihi...tudo o que sirva para validar o título deste blogue diverte-me por demais!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Um Manual para Escritores Bloqueados, por Bruno Cunha


No seguimento dos conselhos de Jorge Reis-Sá para uma vida de escritor produtiva, Bruno Cunha oferece no seu blog Uma por Dia: uma história nova todos os dias, um manual para escritores bloqueados… com uma grande dose de humor.

“1- Arranjar uma cadeira confortável mas sempre que possível inventar novas posições de escrita.
2 - Escrever num bom computador, que tenha acesso à internet e jogos (muitos).
3 - Escrever junto a uma janela com vista panorâmica e estar sempre atento às brincadeiras das crianças lá fora (se estiverem por perto).
4 - Quando sentir um vazio, olhar para o vazio só pelo gozo de ele lá estar.
5 - Levantar-se muitas vezes, andar por todos os lados da casa e pôr música em altos berros, para afastar os maus espíritos.
6 - Escrever as primeiras linhas e apagá-las logo de seguida (são sempre as piores).
7 - Se estiver num aperto, pegar em revistas fúteis e vá lê-las para a casa de banho (em geral provocam uma incontrolável vontade de alívio).
8 - Lavar as mãos e voltar para o computador e escrever mais umas linhas (em geral também são para deitar fora).
9 - Coçar as partes baixas (mas ostensivamente se for homem, mais delicadamente se for mulher). Se não ficou excitado/a, retome a escrita.
10 - Afinal as suas mãos foram muito habilidosas e acabou por ficar excitado/a. Procure alguém em casa para aplacar o reboliço provocado pelos seus instintos (esqueça menores e relações incestuosas). Se estiver sozinho em casa das duas uma: ou vai até à rua e engata alguém ou fica em casa e tem sexo virtual na internet. Caso seja mais egoísta, governe-se você mesmo/a.
11 - Depois destas emoções a fome costuma apertar. Vá até ao frigorífico e abasteça-se o mais que puder.
12 - Arrote (é sinal que ficou saciado/a), lave a loiça e volte para o computador. Finalmente as primeiras linhas já começam a fazer mais sentido. Não perca o balanço e continue.
13 - Começa a escurecer. Levante-se e acenda a luz. É um bom pretexto para dar mais umas voltas por casa. O cão não o larga. Leve-o à rua antes que seja tarde de mais.
14 - Agarre bem o animal pela trela. Os bichos têm sempre a mórbida tendência para se meterem debaixo do primeiro carro que se lhes aparece à frente (ou outro lado qualquer).
15 - Regresse a casa e desligue o computador. Coragem, amanhã é outro dia. Retome este processo ponto por ponto mas seja flexível: a ordem deste manual é completamente arbitrária.
16 - Invente mais pontos, tantos quantos achar necessário.
17 - Se continuar bloqueado/a, das duas uma: ou está a passar por uma crise existencial ou então não tem jeitinho nenhum para a escrita.
18 - Escreva alguma linha ou não, ao menos divirta-se. É o mínimo que pode fazer por si.”

Num blogue é preciso escrever...

“O blog tem uma característica fundamental: a gente precisa escrever. E o exercício textual, que se faz presente e necessário, faz dos blogs uma espécie de laboratório de escrita e criação”.

Professor Mauro Souza Ventura, da Universidade Estadual Paulista de Bauru

Excelente artigo este Blogs e prática de texto, sobre como o facto de um espaço dinâmico de escrita e criação, que necessita de constante actualização e enriquecimento para se justificar enquanto blogue, constituir um bom exercício para a realização textual de um escritor.

Eu sempre senti gosto e até necessidade de escrever. Foi quando criei o meu primeiro blogue, em Janeiro de 2007 que passei a escrever de forma mais sistemática e persistente. E o bom de escrever é que nos surpreendemos e descobrimos no próprio acto da escrita. É terapêutico, divertido e relaxante.

Mas daí a tornarmos-nos escritores...escrever um livro com cabeça, tronco e membros, qualidade literária, originalidade e publicá-lo...vai um árduo caminho. Pelo menos para mim...


Indiscutível o facto de um blogue, ou pelo menos um site, ser fundamental nos dias de hoje para um escritor com obras publicadas divulgar o seu trabalho e dialogar com os seus leitores.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Cinco conselhos a quem quer viver da escrita

Cinco conselhos a quem quer viver da escrita, por Jorge Reis-Sá em Rua da Castela. Com algumas adaptações feitas por mim.

Elabore e apresente com cuidado o seu Projecto:

  1. Envie sempre o original com uma carta de apresentação;
  2. Não precisa de enviar a sua proposta para meio mundo: mande poucos mas para as pessoas certas depois de ter feito a prospecção do mercado:
    1. Se quiser editar o seu livro de poemas, não contacte uma editora de informática.
    2. Se quiser ser cronista, “não mande um projecto de crónica sobre futebol para o Expresso - está lá o Luís Freitas Lobo que sabe mais disso do que você e mais mil e quinhentos como você. Mande por isso um projecto estruturado e pensado para o sítio certo. Mande para o Sol. Mas note que tem de estar na mesma liga do Freitas Lobo. Pelo menos nesse assunto, claro.”
  3. “É díficil ser cronista? Concedo. Então pense em escrever argumentos para cinema. Dez, quinze, trinta e cinco sinopses. E depois bata à porta de um produtor e diga ao que vem. Ou então bulas para medicamentos. Ou então peças de teatro. Ou então horários para a CP. O que quero dizer é que tem de diversificar. Ou não conseguirá viver do seu trabalho: escrever.”
  4. Não pense que já sabe tudo, de tal maneira que não está para ouvir conselhos de especialistas: se bater à porta de um produtor e ele pedir para alterar o fim do seu genial argumento, atente ao que diz. No fundo, ouça. Ele, quase de certeza, saberá mais do assunto do que você.
  5. Último conselho? Não fique a contar com o factor C, as cunhas, os conhecimentos:”Não reze na capela pela entrada nas capelinhas: trabalhe e as portas abrem-se."

Quanto ganham os escritores em Portugal?


Um dos maiores enganos acerca da profissão de escritor é este: não se consegue viver da escrita. Consegue. E eu vou dizer como.”

Jorge Reis-Sá

Eis o que Jorge Reis-Sá, romancista, poeta, editor e responsável pela Quasi Edições nos diz:

para receber um salário mensal de €1,500, um escritor deverá trabalhar oito horas por dia

5 horas a escrever

3 horas a ler

Isto durante 8 meses, 5 dias por semana.

Contamos com os fins-de-semana e um mês de férias.

Os restantes 3 meses serão para a promoção do romance que entretanto escreveu.

“Que escreva 3 páginas por dia. Isto dá, para um romance de 240 páginas” (a ser vendido por €15),” 80 dias úteis de trabalho. 16 semanas, para ser mais exacto. 4 meses. Dois meses de revisão, sobram outros dois para outras coisas.” (A páginas tantas eu já me perdi nas contas…)

“As outras coisas são o quê? Crónicas.” (€250 por crónica) “Textos para concorrer a prémios literários. Encomendas. Peças de Teatro. Letras de música. Tudo o que um escritor pode rentabilizar na sua actividade. Assim, sem lirismo. Um escritor escreve, não é? ”

Veja como este escritor faz as contas aos rendimentos da sua profissão no blogue Rua da Castela.

Uma leitura muito interessante…apenas não sei se não será demasiado optimista…

PNET Literatura: o novo portal da Literatura Portuguesa

"A literatura é um rio que se reconhece, hoje em dia, através de uma identidade multifacetada: um vastíssimo esteio de afluentes que disputa os limites de uma fronteira sempre impossível de traçar. É neste limbo dinâmico, ponteado por marés imprevistas, que o site PNETliteratura se situa. Sem dizer que não à turbulência ou à contingência. Interrogando, enquanto publica; dando a ver, enquanto relativa. "

A introdução é de Luís Carmelo, sobre o novo portal da PNET, dedicado a temas literários. Colaboram Almeida Faria, Gonçalo M. Tavares, Jorge Reis-Sá, Pedro Teixeira Neves, Maria do Carmo Figueira e Carlos Pessoa Rosa que se propõem fazer a "radiografia contínua da vida literária portuguesa"
Registem-se. Eu já o fiz.

domingo, 7 de setembro de 2008

Oh, é bem verdade, bem verdade....


"Ler torna-te mais bonito/a, mesmo que já sejas bonito/a por natureza"... bem, puxando a brasa à minha sardinha que me farto de ler, só pode ser verdade, é melhor que qualquer lifting ou injecção de botox, certamente menos doloroso e, apesar do preço dos livros, mais barato.

Não há nada como uma expressão mais profunda e inteligente para tornar uma pessoa mais atraente, e os livros contribuem para esse carisma.

Nesta onda, as bibliotecas deveriam estar a fazer concorrência às clínicas de estética...não percebo poque é que tal ainda não aconteceu!:)

INdefinições minhas...brincadeiras com palavras sérias...


Ilustração de Mordicai Gerstein.

"Procura-se um equilibrista

que saiba caminhar na linha

que divide a noite do dia

que saiba carregar nas mãos

um fino pote cheio de fantasia

que saiba escalar nuvens arredias

que saiba construir ilhas de poesia

na vida simples de todo dia."

Classificados Poéticos,

Roseana Murray



Sou uma equiLIBRISTA na linha que une e separa, liga e oscila entre o livro e o blogue, a biblioteca e a web. Porque tudo vale a pena LER "quando a alma não é pequena" (sempre o inevitável Pessoa )...Ou então voo qual borbeLETRA...pairando entre a poesia e o humor, a criação e a citação, entre a crítica e a canção.



domingo, 31 de agosto de 2008

A atitude na Internet, a auto-recriação, ainda a ficção escrita vs realidade...




As possibilidades quase infinitas de recriação (o limite é a nossa imaginação), do anonimato, a cultura dos nicks à qual eu nunca aderi...porque no momento em que eu não puder assumir e assinar aquilo que publico num blogue, então prefiro não o escrever de todo.

Então e o inconfessável? Mais vale mastigar e cuspir em forma de "falsa" ficção , ou antes, realidade transfigurada. Ou procurá-lo nas palavras dos outros...

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Um Conto Súbito...BANG!

Eis um surpreendente Conto Súbito de Luís Filipe Silva que achei na Revista Bang n.º 3, publicação portuguesa dedicada à literatura fantástica editada pela Saída de Emergência. Pode fazer download dos números 3 e 4 desta revista aqui.


Contra a Demagogia

Funciona assim, sr. Presidente: fica residente no seu cérebro e vai contando as palavras que profere ao falar e escrever. Ao atingir o limite, zás! Abre os milhões de contentores de cianeto que lhe injectámos nas veias. E ao fim de cinquenta palavras...

-Cinquenta palavras?! – berrou o Presidente.

-Quarenta e oito... – corrigiu maliciosamente o terrorista. BANG!


"Bang" mesmo! Tão poucas palavras para tão grande efeito! Muuuuuiiiito fixe!


Luís Filipe Silva foi galardoado em 1991 com o prémio Caminho de Ficção Científica. É autor do Ciclo da GalxMente, composto à data pelos romances Cidade de Carne e Vinganças, e colaborou com João Barreiros no “Terrarium” - Um Romance em Mosaicos.Nos últimos anos tem mantido uma presença assídua na internet, onde publicou uma revista por email («Eventos») que se transformou no actual site TecnoFantasia.com.

Assalto à biblioteca



Repararam que esta bibliotecária é loira?

O.K., O.K., desculpem mas não resisti ao estereótipo (injusto, aliás como todos) da loira burra...

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Era uma vez a liberdade de escolha nas livrarias...



LIBERDADE DE ESCOLHA


Era uma livraria que vendia um único livro. Havia 100 mil exemplares numerados do mesmo livro. Como em qualquer outra livraria os compradores demoravam-se, hesitando no número a escolher.


Esta é uma história breve de Gonçalo M. Tavares, incluída no livro O Senhor Brecht (2004).



Será que as livrarias e os editores se empenham realmente na diversidade e na multiplicidade das publicações ou embarcam na onda comercial do "mais do mesmo" ? Porque será que eu tenho que comprar os livros que procuro na Amazon?


Podem ler mais sobre esta questão em Post Scriptum estival.


O livro enquanto objecto de gula e classificação





“…esclareço desde já que não uso chinó, lentes grossas nem fatos mal amanhados, estereótipo estafado da figura de bibliotecária, também conhecida por “the shhh people” expressão engraçada pela qual são (ou foram) chamados estes técnicos do livro. Falo de livros enquanto objectos e não necessariamente de leitura. Como poderão imaginar, os processos de tratamento de que os livros são alvo, nada têm de romântico: uma secretária cheia de obras à espera de serem classificadas, catalogadas e cotadas não se compadece com os prazeres da leitura nem com obras primas literárias. Dito de outra forma, um livro do Philip Roth leva exactamente o mesmo tratamento que um livro de receitas de sushi. Pode parecer injusto, mas é assim.

Estamos bem longe da ideia romântica da imagem da bibliotecária a namoriscar entre estantes de madeira, como Spencer Tracy e Katharine Hepburn no filme "Desk Set”, a loura Carole Lombard enroscada nos braços do Clark Gable em “No man of her own” ou uma Betty Davis destemida, no filme “Storm center” em pleno “mccarthismo”. Coisas de filmes a preto e branco, como os microfilmes.


Porque uma bibliotecária, a cores e na vida real, rodeada de códices, obras de botânica, estampas, mapas, romances ou de bases de dados em linha, com cheiro a livros de tinta fresca ou amarelados do tempo, procura, acima de tudo, fazer chegar o seu trabalho junto dos leitores o mais breve possível. Em vez da fantasia das metáforas, da sintaxe apurada da obra e da beleza da escrita, o bibliotecário suspira por um índice bem construído que lhe há-de ser de grande utilidade quando tiver que a classificar.


Para além dos livros que estão à nossa guarda, existem também aqueles que nos oferecem e não lemos, aqueles que vamos comprando e os nunca abrimos, aqueles que damos porque gostaríamos de os ler, aqueles que gostaríamos de ter e nunca compramos por serem caros, aqueles que começamos a ler duas, três vezes e nunca os acabamos, porque entretanto dois ou três outros vão entrando e têm os mesmo destino(1). Sem esquecer os livros que se compram com gula, por causa da capa, pelo retrato que lá está ou seduzidos pela badana, mesmo que o recheio seja, (e é tantas vezes) uma enorme desilusão. Como costuma dizer um amigo, com especial acerto, basta colocar as fotografias ou as imagens certas numa qualquer compilação de receitas de pudins em banho-maria para se tornar um estoiro de vendas.


Para além do seu valor literário, patrimonial ou estético, pouco se fala do livro enquanto objecto. Por mim, parece-me bem que cada um fale do que conhece e “classifique” como sabe.”

(1) "Se Numa Noite de Inverno Um Viajante", de Italo Calvino

Maria Isabel Goulão (Bibliotecária) para o número de Fevereiro 2008 da Revista Atlântico

Fonte: Miss Pearls

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