segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Dezembro, 31 / "Tonight’s December thirty-first"





Tonight’s December thirty-first,
Something is about to burst.
The clock is crouching, dark and small,
Like a time bomb in the hall.
Hark, it's midnight, children dear.
Duck! Here comes another year!

Ogden Nash

Problemas ortográficos da vida


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O que fazer quando os livros têm bicho



"A verdade é que vendemos livros antigos e alguns, raramente, mas acontece, trazem bicho. O que podemos fazer... Bem, profissionais como somos, não deixámos de dar resposta à cliente. Assim, aqui vai para quem quiser saber, a receita para nos vermos livres dos bibliófilos bichos e, ao contrário do que se possa pensar, não é com nenhum produto químico (existem vários), mas sim de uma forma muito natural: pega-se no livro, embrulha-se muito bem em plástico e coloca-se no congelador de um dia para o outro. Simples, mas eficaz. E sim, estamos mesmo a falar a sério".
Um conselho de Pó dos Livros.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

" Velho, velho, velho chegou o Inverno" / Winter

 
 
 
INVERNO

 Velho, velho, velho
Chegou o Inverno.

Vem de sobretudo,
Vem de cachecol,

O chão onde passa
Parece um lençol.

Esqueceu as luvas
Perto do fogão:

Quando as procurou,
Roubara-as um cão.

Com medo do frio
Encosta-se a nós:

Dai-lhe café quente
Senão perde a voz.

Velho, velho, velho.
Chegou o Inverno.

Eugénio de Andrade (1923 –2005)

Ler no Natal / Reading on Christmas


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

"Ler devia ser proibido"



Ler devia ser proibido
 

"A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.

Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Dom Quixote e Madame Bovary.

O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram.

Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?

Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.

Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens.

Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.

Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.

O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlim-pim-pim, a máquina do tempo.

Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metros, ou no silêncio da alcova. Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.

Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.

Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.

Além disso, a leitura promove a comunicação de dores e alegrias, tantos outros sentimentos. A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.

Ler pode tornar o homem perigosamente humano."

Guiomar de Grammont

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Leitora de capa vermelha / Woman with red cape reading


Alphonse Maria Mucha (1860-1939) "The Red Cape", 1902

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O grupo editorial LeYa apresentou hoje a plataforma digital de autoedição  www.escrytos.com que permite a autores de língua portuguesa publicarem e venderem as suas obras pela Internet.

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sábado, 8 de dezembro de 2012

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A Branca de Neve de Benjamin Lancombe chegou a Portugal / Benjamin Lancombe's Snow White in Portugal



"Era uma vez, em pleno coração do inverno, uma rainha que bordava junto à janela. Através da moldura de ébano contemplava os flocos de neve que pairavam no ar, como se fossem penas. Subitamente, picou-se no dedo e três gotas de sangue caíram na neve..."

 
Este Natal, a Editora Paleta de Letras brinda-nos com uma pérola da literatura infantil, Branca de Neve. Sei que este conto dos Irmãos Grimm não é novo. Pertence ao nosso imaginário colectivo. Mas a beleza das ilustrações é surpreendente. Benjamin Lancombe é um ilustrador fantástico e esta vai ser a primeira edição do seu trabalho em Portugal. Uma prenda de Natal linda! (eu compro com o pretexto de oferecer aos meus filhos, mas não sei quem gosta mais, se eles ou eu!)
Deixo-vos algumas ilustrações:
 



 
 

domingo, 2 de dezembro de 2012

"O jardim secreto da D. Jacinta": uma peça de Natal

O Teatro Carbono e a minha irmã :) voltam a entrar em acção, desta vez com um espectáculo natalício, "O Jardim Secreto da D. Jacinta".
É uma peça de Natal, feita a pensar em miúdos com mais de 4 anos e graúdos de todas as idades.
A estreia (e única apresentação) é já no próximo Sábado dia 8, às 19h00, no espaço Hangar, em Campolide.
Eu vou lá estar com a famelga toda, of course. Até lá, para os que também vão. :)
 
 
 
 Clique para aumentar.
 
 
A propósito deste espectáculo lembrei-me desta ilustração com outro jardim escondido.
 
 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O Natal talvez.../ Maybe Christmas...

 
Talvez nós devamos explicar aos nossos filhos qual o verdadeiro significado do Natal. No fim de semana passado estive com a minha filha mais nova a escolher brinquedos para dar aos meninos cujos pais não vão ter dinheiro para comprar prendas.
Mesmo para quem desdenha o significado religioso (e entra em contra-senso) há toda a apologia da família, da amizade e da solidariedade. Em tempos de crise, os presentes deverão ter um significado simbólico, privilegiando o gesto e não o valor material. E na ausência do presente (que pode até ser um desenho de criança) temos como justo substituto o sorriso na boca, no olhar e no abraço.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

A um livro de mágoas um poema / A Florbela Espanca's poem

 


A um livro


No silêncio de cinzas do meu Ser
Agita-se uma sombra de cipreste,
Sombra roubada ao livro que ando a ler,
A esse livro de mágoas que me deste.


Estranho livro aquele que escreveste,
Artista da saudade e do sofrer!
Estranho livro aquele em que puseste
Tudo o que eu sinto, sem poder dizer!


Leio-o, e folheio, assim, toda a minh’alma!
O livro que me deste é meu, e salma
As orações que choro e rio e canto!…


Poeta igual a mim, ai que me dera
Dizer o que tu dizes! … Quem soubera
Velar a minha Dor desse teu manto!…


Florbela Espanca, Livro de Mágoas

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

"Cativar para a leitura" no programa Sociedade Civil




Na quarta-feira, dia 5 de Dezembro, o programa Sociedade Civil tem como tema "Cativar para a leitura":

"O Observatório das Atividades Culturais revelou, em 2007, o crescimento dos hábitos de leitura nacionais. Em dez anos, havia mais 7% de leitores de livros, 20% de jornais e 6% de revistas. A análise mostra também uma diminuição de 62% de não-leitores.
Mas a evolução está ainda longe dos patamares europeus. Em Inglaterra, por exemplo, mais de metade da população lê na hora de almoço.
Como podemos importar estes hábitos? Onde devem ser implementadas mais mudanças? Pais e educadores têm as ferramentas para cativar as gerações mais novas para a leitura?"

É na RTP2, às 14 horas.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O que acharia Jane Austen de "As Cinquenta Sombras de Grey"? What would Jane Austen think about "Fifty Shades of Grey"?



Já estou a ver a senhora (minha escritora de eleição, aliás), solteirona do século XVIII, filha de um reverendo, a corar, com falta de ar, afrontamentos...Jane Austen sempre deixou os pormenores mais carnais à imaginação do leitor e nos seus romances de fina ironia nem sequer um beijo . O romance erótico "As Cinquenta Sombras de Grey", pelo contrário, é extremamente descritivo, podendo inclusivamente constituir um manual para quem se quer iniciar na prática de "bondage".

No entanto, apesar do fosso temporal, literário e de estilo, há quem tenha estabelecido uma relação entre as obras de Jane Austen, nomeadamente "Orgulho e Preconceito" e este romance "soft-porn". Ora vejam:

  • Reader, I ravished him: Classics given a steamy Fifty Shades of Grey makeover that would make Jane Austen and the Brontes blush, de Emily Andrews AQUI

  • Fifty Shades of Grey meets Pride and Prejudice: classics get erotic rewrites
Erotic publisher brings readers 'the scenes you always wanted to see but were never allowed', by sexing up classic titles including Northanger Abbey, Jane Eyre and A Study in Scarlet AQUI
Artigo de Alison Flood
  • ’50 Shades of Grey’ Treatment Given to ‘Pride And Prejudice,’ Sherlock Homes And More de Eric Brown   AQUI

 

Jane Austen deve estar a dar voltas no túmulo!


 





Reader, I ravished him: Classics given a steamy Fifty Shades of Grey makeover that would make Jane Austen and the Brontes blush

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Devotees of Jane Austen or  the Bronte sisters may wish to loosen their corsets and have the smelling salts within reach.
Some of the greatest works of English literature have been controversially ‘sexed up’ for the 21st century.
Following the success of erotic novel Fifty Shades of Grey, one enterprising publisher has given classics such as Pride and Prejudice, Jane Eyre and Wuthering Heights a bawdy makeover.


Read more: http://www.dailymail.co.uk/news/article-2174576/Classics-given-50-Shades-Grey-makeover-make-Jane-Austen-blush.html#ixzz2CgPwlKfA
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