Mireille Havet (1898, Médan, Yvelines - 1932)
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
"Adeus" por Eugénio de Andrade
O poeta do início da minha adolescência. Depois vieram Sophia e Fernando Pessoa.
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já se não passa absolutamente nada.E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade, in “Poesia e Prosa”
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já se não passa absolutamente nada.E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade, in “Poesia e Prosa”
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
O Ano Novo toma posse / The New Year is Checking in
For last year's words belong to last year's language
And next year's words await another voice.
T.S. Eliot
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Dezembro, 31 / "Tonight’s December thirty-first"
Tonight’s December thirty-first,
Something is about to burst.
The clock is crouching, dark and small,
Like a time bomb in the hall.
Hark, it's midnight, children dear.
Duck! Here comes another year!
Ogden Nash
domingo, 30 de dezembro de 2012
sábado, 29 de dezembro de 2012
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
O que fazer quando os livros têm bicho
"A verdade é que vendemos livros antigos e
alguns, raramente, mas acontece, trazem bicho. O que podemos fazer... Bem,
profissionais como somos, não deixámos de dar resposta à cliente. Assim, aqui
vai para quem quiser saber, a receita para nos vermos livres dos bibliófilos
bichos e, ao contrário do que se possa pensar, não é com nenhum produto químico
(existem vários), mas sim de uma forma muito natural: pega-se no livro,
embrulha-se muito bem em plástico e coloca-se no congelador de um dia para o
outro. Simples, mas eficaz. E sim, estamos mesmo a falar a sério".
Um conselho de Pó dos Livros.
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