Ilustração de Adam Palmer.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
ON, ON, ON...never OFF life, ok?!
Esta não é uma resolução relevante para o novo ano: eu continuo on-line e on-life! :)
Não são modos de vida incompatíveis. Nem a internet é uma fuga ou uma alternativa viável à vida real! Trata-se de uma ferramenta espectacular de trabalho e simultaneamente de lazer (se bem que eu tenho tanta sorte em gostar do que faço que, por vezes, as duas vertentes se misturam e confundem).
Vemo-nos por aí, on...
Evaporação literária ou simplesmente um livro esquecido sobre a cama?
A cama vazia. Não, eu estou lá! É este o livro que leio agora! Às vezes isto acontece-me, dissolvo-me na leitura, entro pelo livro adentro, entrelaço-me na história e o enredo em mim, até que algum dos meus sentidos me puxa para a realidade, contrariada ou contente. Ah, depois volto. A dissolução é recorrente... :)
A pintura é de Denis Ichitovkin.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
A expressão sexual, "Sexpressions", de Clara Pinto Correia
Entrou-me no quarto qualquer coisa que veio com o vento. Não consigo vê-la bem, e, curiosamente, não tenho medo nenhum. É uma coisa poderosa e tem que ser boa, porque a Bolota não rosnou nem arrepelou o pêlo. Limitou-se a saltar imediatamente para o chão, como que a dar-lhe o seu lugar ao meu lado. O que quer que seja, já tocou na minha pele de uma forma muito doce. Aqueceu-me logo nesta noite fria. Está a enroscar-se ao meu lado sem qualquer cerimónia. Só pode ser um animal. Um animal muito quente. (...) Esta criatura fala. E isto é linguagem articulada. Mas é só quando me abraça toda com infinita doçura - pernas, braços, mãos, cabelos, pescoço, queixo - que me dou plenamente conta do meu erro. Este animal é um homem. Foi um homem que voou pela minha janela, no sopro dos zéfiros nocturnos.
(...)
Não. Bastou um sopro, um passe de capa do vento, e o arcanjo já se foi embora. O Mal que aguente a sua investida, porque na minha cama a parada subiu de tom. Não sei quem me possui desta maneira. Nem sequer sabia que era possível voar tão alto à superfície da Terra. Volto a fechar os olhos, volto a deixar-me levar, sinto o suor deslizar pelos nossos corpos colados, oiço a respiração dele cada vez mais fremente nas narinas, e tudo no seu abraço enorme continua a dizer-me que não tenha medo. Quando abro os olhos, só me ocorre uma palavra - Bucéfalo.
Há qualquer coisa de inominavelmente grandioso em ser-se a mulher do garanhão negro que acompanhou Alexandre o Grande em todas as suas batalhas. E mais ainda em atingir o clímax com ele, num berro sem fim que sacode a montanha e cala o mar.
(...)
Levantei-me devagarinho, com a brisa doce e cheia de flores da manhã a brincar suavemente na trepadeira, para ir abrir a porta à Bolota. Sentia-me a cintilar por dentro. A criatura mitológica continuava ali em plena luz do dia.
Olha, querida, trazes-me um café lá de baixo? Se faz favor?
Que é isto?
Virei-me como se tivesse sido mordida por um bicho, com o coração a bater na garganta. Aquilo era um homem. Tinha-se sentado no meio das almofadas com o cabelo todo desgrenhado, e estava a acabar de acender um cigarro com um sorriso rasgado completamente canalha. Mas afinal tu falas?
Só quando vale a pena.
E tens por hábito entrar assim a voar, sem mais nem menos, a meio da noite, pela janela das pessoas?
Assim sem mais nem menos? Era o que faltava. Foi só mesmo porque quis ficar contigo.
Mas, prodígio. Eu tenho cinquenta anos. Quer-me parecer que já há muito tempo que não acredito em milagres, topas.
Eh pá, por pavor, tu poupa-me a conversa mole, fedelha. Eu tenho a idade da Terra, e estou farto de não passar de um mero prodígio, e não vejo por que é que, entre nós os dois, não há-de acontecer mesmo um milagre. Sinceramente. Ando há milénios para aí a fazer nascer Grandes Imperadores, Grandes Guerreiros, Grandes Navegadores, Grandes Artistas, Grandes Cientistas...
Livra. Só és capaz de engendrar homens?Também fui o pai da Joana d'Arc.
Uma maluca mascarada de homem?
Ouve lá. As mães tiveram todo o prazer, os filhos tiveram todas as dores de cabeça e todas as facadas no Senado, portanto acho que o jogo é mais que justo para o teu lado, ou sou eu que estou a delirar? E digo-te, o que eu realmente aprendi foi que, em todos os tempos, em todos os sítios, da mãe do Aristóteles à mãe do Obama, toda a gente acredita em milagres, ouviste, e isto digo-te eu, que já vi tudo, em toda a parte. Qual é o nosso milagre? Tu libertas-me da Eternidade, eu liberto-te da solidão... Gaita que és mesmo boa, mulher. Anda cá que eu faço-te já um filho daqueles normais.
Normais? Numa mulher em menopausa? A Bíblia está cheia delas.
Ao menos diz-me o teu nome, palerma.
E o café que eu já pedi há mais de três quinze dias, gaja? Não digo mais nada sem me trazeres o meu café.
Boa. Agora convenceste-me. És mesmo um homem. Vou buscar o café sem mais demora, chefe. E vais ficar por aqui quanto tempo, já agora, só para eu depois ir à mercearia comprar aquelas porcarias todas de que os homens gostam?
Ele espreguiçou-se todo de puro conforto, com o tal sorriso velhaco a ficar cada vez mais doce.
O resto da vida, estrela-do-mar.
Excertos do texto de Clara Pinto Correia que acompanha fotografias íntimas da escritora, da autoria do fotógrafo Pedro Palma, agora em exposição no Centro Cultural de Cascais, até ao dia 7 de Fevereiro.
Pode ler o texto na íntegra aqui.
Literariamente apimentado q.b..
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
sábado, 2 de janeiro de 2010
Ou te informatizas ou vais de patins!!!
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Este vídeo contem estatísticas relativas a 2009 sobre as novas tecnologias, previsões computacionais para o nosso futuro, e a realidade americana nos PCs, das TVs e dos Telemóveis. Extremamente interessante!!!
Definitivamente, à velocidade a que estamos a evoluir em termos tecnológicos e no modo como assimilamos essas inovações no nosso quotidiano, quer a nível pessoal quer profissional, precisamos actualizar-nos permanentemente (um upgrade constante!) ou ficaremos a olhar o futuro pelo espelho retrovisor!
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
O Bicho Avaliação no Reino da Terra do Faz-de-Conta
Era uma vez um professor bibliotecário muito talentoso chamado Sílvio Maltez que criou um livro mágico sobre o bicho Avaliação que ameaçava o reino encantado das Bibliotecas Escolares. Giríssimo!!! Vale a pena folhear!
Podem saber mais sobre este modelo de avaliação das bibliotecas escolares aqui.
Fonte: Bibliotequices
Vinicius sabe!!!
"Quem já passou por essa vida e não viveu..
pode ser mais mas sabe menos do que eu..
porque a vida só se dá pra quem se deu..
pra quem amou.. pra quem chorou.. pra quem sofreu..."
Vinicius de Moraes
domingo, 27 de dezembro de 2009
Ferramentas Web para totós
Um texto que vale a pena dissecar, pela quantidade de links/dicas que apresenta:
100 Powerful Web Tools to Organize Your Thoughts and Ideas
(a fórmula "para totós" num título parece ser garantia de "best-seller", pela quantidade de livros que por aí abundam destinados a esta larguíssima camada da população, na qual eu me insiro...afinal, quem é que não é totó em algum assunto?)
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Ler aquece aquece aquece
The reading girl de Theodore Roussel
(Pintor inglês, 1847-1926)
Actividade recomendada nestes dias tão frios!!!
Há outras... :))))
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
O "que se pode dizer quando a extrema solidão nos dá um talento inconcebível"?
«Talvez pudesse ouvir passos junto à porta do quarto, passos leves que estacariam enquanto a minha vida, toda a vida, ficaria suspensa. Eu existiria então vagamente, alimentado pela violência de uma esperança, preso à obscura respiração dessa pessoa parada. Os comboios passariam sempre. E eu estaria a pensar nas palavras do amor, naquilo que se pode dizer quando a extrema solidão nos dá um talento inconcebível. O meu talento seria o máximo talento de um homem e devia reter, apenas pela sua força silenciosa, essa pessoa defronte da porta, a poucos metros, à distância de um simples movimento caloroso. Mas nesse instante ser-me-ia revelada a essencial crueldade do espírito. Penso que desejaria somente a presença incógnita e solitária dessa pessoa atrás da porta. Ela não deveria bater, solicitar, inquirir»
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