segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

"Diário dos Infiéis" é o primeiro romance de João Morgado. Venham mais! :)

"Quatro casais, oito personagens e a pergunta que nos assalta quando percebemos o fim: ainda me amas? Não sabem o que os faria felizes, nem se lembram do dia em que sentiram o peso da solidão, em que se amaram ou se desejaram. Hoje, não se reconhecem, não têm coragem para mudar de vida, para assumir o fim e procurar noutro amor o caminho de volta para o compromisso maior: ser feliz. Num diário de emoções íntimas, falam na primeira pessoa do que sentem em relação a si e aos outros. Concluem que, cada um à sua maneira, todos foram infiéis: por pensamentos, actos, ou omissões. Com vidas entrelaçadas, cada um descreve no diário a sua viagem pelo mundo do sexo, do desejo, do pudor, do egoísmo, do amor-próprio, do envelhecimento, do sonho, da morte... Enfim, a matéria-prima da qual é feita a existência de gente vulgar. «Sobre nós ninguém escreverá um romance», diz uma das personagens. Talvez desconhecendo que todos os dias a vida nos ensina o contrário".


Acabei agora de ler este Diário dos Infiéis, editado em 2010 pela Oficina do Livro.  Uma excelente surpresa: João Morgado escreve frases lindas, daquelas que voltamos atrás para voltar a saborear. Até as inúmeras descrições de cenas de sexo são descritas de forma bonita e original.

Também é um livro triste, repleto de gente infeliz, frustrada, acomodada. Infiéis nas suas relações mas sobretudo infiéis a sim mesmos, aos seus próprios sentimentos, incapazes de lutar pela sua própria felicidade.

Ao ler este romance fica-se com a impressão de tudo são traições, silêncios corrosivos e omissões, que não há casamentos felizes, o que não é verdade. Há casamentos felizes, em que se diz e se dá tudo, em que somos fiéis ao outro e a nós mesmos.

Curiosamente, nesta história de vozes múltiplas que semeiam desencontros, cobardias e infidelidades, proclamam a inexistência do amor e a omnipotência do desejo, acaba por acontecer o imprevisto: ainda há quem morra por amor.

Este é o primeiro romance de João Morgado. Venham mais! :)


sábado, 5 de fevereiro de 2011

Onde está o gerente deste planeta?




"Depois de uma olhadela neste planeta, qualquer visitante extraterrestre dirá: eu quero falar com o gerente."

Era uma vez no Oeste: o Western Spaguetti

Quem viu não esquece Era uma vez no Oeste (Once Upon a Time in the West) de Sergio Leone e  muito menos a banda sonora SOBERBA composta por Ennio Morricone em 1968. O filme emblemático do género western spaguetti, i.e.  filmes de cowboys made in Itália.


Leitora com atento leitor canino

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A leitora descalça de Yang Fudong


Perseguição impressionante on e off-line / The Chase: Praga (República Checa), Facebook, YouTube, Microsoft Office...

Alucinante, em constante transição entre os mundos real e virtual:






Divertido, o final!


Intel is building excitement around the 2nd Generation Intel® Core™ i5 processor through “The Chase”, an action-adventure video titled “The Chase.” The spot demonstrates the performance capabilities of the new processors by creating an action-movie style chase sequence that takes place through a wide variety of program windows on a computer desktop. Filmed on location in Prague, Czech Republic, the video features a multitude of programs and sites, including Apple’s iTunes, Facebook, YouTube, Microsoft Office and the Adobe Creative Suite.


O Arquivo Virtual de Abel Salazar já está on-line

Clique na imagem para aumentar.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Kick Buttowski e a bibliotecária malvada (uma animação Disney XD)



Quem diz que não podem haver cenas de acção numa biblioteca?! Com perseguições de mota e tudo! Além de malvada, esta bibliotecária é radical! :)



Saiba mais AQUI.

O vídeo está em espanhol porque a versão em português deixou de estar disponível, tendo sido necessário actualizar o link.

Vestida para ler / Dressed to read

Pelo frou frou do vestido deve-se tratar de um clássico da literatura, um conto de fadas talvez...se fosse de vampiros apostaria mais num look gótico subtilmente sedutor, se fosse Paulo Coelho talvez adoptasse um estilo hippie, a ler as crónicas de Ricardo Araújo Pereira seguiria a moda das collants às grandes riscas coloridas :) ...a cada livro o seu vestido. 

Uma leitora pensativa / Reading and dreaming are alike


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A leitura pelo traço de Almada Negreiros



Desenho a lápis sobre papel amarelo / 63 x 53 / assinat. Almada / 1939


Os nomes próprios e as vacas

Almada Negreiros



"Das duas uma: ou as pessoas se fazem ao nome que lhes deram no baptismo, ou ele tem de seu o bastante para marcar a cada um. Será imprudente deduzir o nome próprio através de fisionomias ou dos caracteres; no entanto, uma vez conhecido o nome próprio de uma pessoa, ficamos logo convencidos de que este lhe assenta muito bem. Jules Renard tirou um esplêndido retrato da vaca em tamanho natural: «On l'appelle la vache et c'est le nom qui lui va le mieux.». Como vedes, este corpo-inteiro está extraordinariamente parecido, é vaca por todos os lados.


Por sorte, a vaca não tem apelidos de família para lhe complicarem a existência. Mas, como é animal doméstico, vem a dar-lhe na mesma que tenha ou que não tenha apelidos. O ser animal doméstico faz com que fique dentro da circunscrição dos apelidos da família em casa de quem serve. A vaca é «Pomba», «Estrela», «Aurora» ou «Vitória» como uma pessoa podia ser apenas José, Maria, Luís ou Judite. É a domesticidade que leva a estas designações e para evitar o opróbrio da fria enumeração. São feitos da gentileza com facilidades para distinguir. Mas a verdade é que o facto de alguém ser Joana ou Manuel já é mais do que ser apenas homem ou mulher. Ser homem ou mulher é apenas a natureza; chamar-se João ou Manuela já é a natureza mais a vida inteira: é o problema. E se o João é Sousa e a Manuela é Pereira, então, à natureza e à vida junte-se-lhes ainda por cima a existência e complicou-se o problema".

Almada Negreiros in Nome de Guerra, 1938

Nome de Guerra, escrito em 1925 e editado pela primeira vez em 1938, é o romance de iniciação de um jovem provinciano proveniente de uma família abastada. Quando o tio de Luís Antunes o envia para Lisboa, ao cuidado do seu amigo D. Jorge (descrito como “bruto como as casas e ordinário como um homem”), com o propósito de o educar nas “provas masculinas”, não imaginava o desenlace de tal aventura. Apesar de, na primeira noite, D. Jorge ter ficado convencido da inutilidade dos seus préstimos, Antunes concluiu que o “corpo nu de mulher foi o mais belo espectáculo que os seus olhos viram em dias de sua vida”, decidindo-se a perseguir Judite. Esta “via perfeitamente que o Antunes não estava destinado para ela”, mas “não lhe faltava dinheiro e dinheiro é o principal para esperar, para disfarçar, para mentir a miséria e a desgraça”. 

Assim se inicia a história de Luís Antunes e Judite, que terminará com a prodigiosa e desconcertante frase, “não te metas na vida alheia se não queres lá ficar”.


Elis canta Fascinação

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