terça-feira, 5 de novembro de 2013

"Adagio in G Minor" de Tomaso Giovanni Albinoni



Esta música acompanhou-me durante algum tempo da minha vida...há uns 20 anos atrás. Soube bem relembrar.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Existe algo mais irritante do que isto? / Is there something more annoying than this?


Livros e a Leitura: Desafios da Era Digital, Conferência Internacional de Educação 2013


Debater o papel do livro e da leitura na era da internet é um dos objetivos desta Conferência Internacional a decorrer no próximo dia 28 de outubro de 2013, organizada pelo Programa Gulbenkian Qualificação das Novas Gerações.


Os Livros e a Leitura: Desafios da Era Digital

Conferência Internacional de Educação 2013

Segunda, 28 out 2013  |  09:00 - 19:00  |  Entrada livre

Auditório 2

Programa

9h30 – Sessão de Abertura
Artur Santos Silva
Eduardo Marçal Grilo
José Gomes Canotilho                             
Jürgen Habermas


10h00 –  Conferência de Abertura
"A Democracia na Europa"
Jürgen Habermas

11h00 – Gramática do Português – Apresentação da obra
Eduardo Paiva Raposo
Maria Fernanda Bacelar do Nascimento
Viriato Soromenho Marques 
          
Presidente: Manuel Carmelo Rosa
15h - Conferência "O Futuro do Livro"
John Thompson
Presidente: Eduardo Marçal Grilo
16h15
- "A Leitura Digital e a Transformação do Incentivo à Leitura e das Instituições do Livro"
Gustavo Cardoso
Carla Ganito
Luis Gonzalez Martin
José Afonso Furtado

Presidente: Ana Paula Gordo
17h30 – Sessão de Encerramento
Eduardo Marçal Grilo
Manuel Carmelo Rosa
Henrique Monteiro
 

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Diz-me onde moras e dir-te-ei quem és!

Afinal onde moras?


"Um dos grandes problemas da nossa sociedade é o trauma da morada. Por exemplo, há uns anos, um grande amigo meu, que morava em Sete Rios, comprou um andar em Carnaxide. Fica pertíssimo de Lisboa, é agradável, tem árvores e cafés. Só tinha um problema. Era em Carnaxide.

Nunca mais ninguém o viu.

Para quem vive em Lisboa, tinha emigrado para a Mauritânia!
Acontece o mesmo com todos os sítios acabados em - ide, como Carnide e Moscavide. Rimam com Tide e com Pide e as pessoas não lhes ligam pevide.

Um palácio com sessenta quartos em Carnide é sempre mais traumático do que umas águas-furtadas em Cascais. É a injustiça do endereço.

Está-se numa festa e as pessoas perguntam, por boa educação ou por curiosidade, onde é que vivemos. O tamanho e a arquitectura da casa não interessam. Mas morre imediatamente quem disser que mora em  
Massamá, Brandoa, Cumeada, Agualva-Cacém, Abuxarda, Alformelos, Murtosa, Angeja, ou em qualquer outro sítio que soe à toponímia de Angola. 
Para não falar na Cova da Piedade, na Coina, no Fogueteiro e na Cruz de Pau.
(...)
Ao ler os nomes de alguns sítios - Penedo, Magoito, Porrais, Venda das Raparigas, compreende-se porque é que Portugal não está preparado para entrar na Europa. De facto, com sítios chamados Finca Joelhos (concelho de Avis) e Deixa o Resto (Santiago do Cacém), como é que a Europa nos vai querer integrar?

Compreende-se logo que o trauma de viver na Damaia ou na Reboleira não é nada comparado com certos nomes portugueses. 
Imagine-se o impacto de dizer "Eu sou da Margalha" (Gavião) no meio de um jantar.
Veja-se a cena num chá dançante em que um rapaz pergunta delicadamente "E a menina de onde é?", e a menina diz: "Eu sou da Fonte da Rata" (Espinho).
E suponhamos que, para aliviar, o senhor prossiga, perguntando "E onde mora, presentemente?", Só para ouvir dizer que a senhora habita na Herdade da Chouriça (Estremoz).

É terrível. O que não será o choque psicológico da criança que acorda, logo depois do parto, para verificar que acaba de nascer na localidade de Vergão Fundeiro? Vergão Fundeiro, que fica no concelho de Proença-a-Nova, parece o nome de uma versão transmontana do Garganta Funda.

Aliás, que se pode dizer de um país que conta não com uma Vergadela (em Braga), mas com duas, contando com a Vergadela de Santo Tirso?
Será ou não exagerado relatar a existência, no concelho de Arouca, de uma Vergadelas?

É evidente, na nossa cultura, que existe o trauma da "terra".
Ninguém é do Porto ou de Lisboa. Toda a gente é de outra terra qualquer. 
Geralmente, como veremos, a nossa terra tem um nome profundamente embaraçante, daqueles que fazem apetecer mentir.

Qualquer bilhete de identidade fica comprometido pela indicação de naturalidade que reze Fonte do Bebe e Vai-te (Oliveira do Bairro).
É absolutamente impossível explicar este acidente da natureza a amigos estrangeiros ("I am from the Fountain of Drink and Go Away...").
Apresente-se no aeroporto com o cartão de desembarque a denunciá-lo como sendo originário de Filha Boa. Verá que não é bem atendido. (...) 
Não há limites. Há até um lugar chamado Cabrão, no concelho de Ponte de Lima !!!

Urge proceder à renomeação de todos estes apeadeiros. Há que dar-lhes nomes civilizados e europeus, ou então parecidos com os nomes dos restaurantes giraços, tipo: Não Sei, A Mousse é Caseira, Vai Mais um Rissol. (...)

Também deve ser difícil arranjar outro país onde se possa fazer um percurso que vá da Fome Aguda à Carne Assada (Sintra) passando pelo Corte Pão e Água (Mértola), sem passar por Poriço (Vila Verde), e acabando a comprar rebuçados em Bombom do Bogadouro (Amarante), depois de ter parado para fazer um chichi em Alçaperna (Lousã).

PS. Só faltou referir o Triângulo Erótico da Bairrada (Ancas, Bustos, Mamarrosa)! E agora temos Mamoa".
Miguel Esteves Cardoso

domingo, 13 de outubro de 2013

O que é uma história para Alice Munro? / What's a story for Alice Munro?



"A story is not like a road to follow … it's more like a house. You go inside and stay there for a while, wandering back and forth and settling where you like and discovering how the room and corridors relate to each other, how the world outside is altered by being viewed from these windows. And you, the visitor, the reader, are altered as well by being in this enclosed space, whether it is ample and easy or full of crooked turns, or sparsely or opulently furnished. You can go back again and again, and the house, the story, always contains more than you saw the last time. It also has a sturdy sense of itself of being built out of its own necessity, not just to shelter or beguile you".


Alice Munro, Prémio Nobel da Literatura 2013
(2013 Nobel Prize in Literature laureate)

sábado, 12 de outubro de 2013

Quem é que ainda nunca leu Calvin & Hobbes? / Who hasn't read Calvin & Hobbes yet?

Se ainda não leram vão já a correr conhecer este miúdo maluco que fala com o seu tigre de peluche! Nem sabem a filosofia de vida que vos está a escapar! :)

Lembro-me de um Natal, há uns bons, bons anos, em que a minha irmã recebeu um livro do Calvin & Hobbes e passámos o resto da noite às gargalhadas. Ficaram nas minhas recordações carinhosas, a leitura, as gargalhadas e a noite de Natal que partilhei com a minha mana. Por causa de um livro. :)

E agora vem aí o documentário "Dear Mr. Watterson" (Bill Watterson é o criador deste cartoon maravilha). Sai em Novembro deste ano.


O site do documentário.


"A primeira tira de Calvin&Hobbes foi publicada no dia 18 de Novembro de 1985. Na altura C&H começou por ser publicado em cerca de 35 jornais. Só mais tarde surgiram as publicações dos livros. Com o passar dos anos a BD internacionalizou-se sendo publicada em diversos países, incluindo Portugal; actualmente o jornal "Público" publica, diariamente, na última página as tiras de C&H e, semanalmente, são publicadas as pranchas coloridas".

"CALVIN
"Esta personagem tem o nome de um teólogo do séc. XVI que acreditava na predestinação (Calvino). A maior parte das pessoas julga que se baseia num filho meu ou em recordações da minha infância. Na realidade, não tenho filhos e era uma criança sossegada e obediente - o oposto de Calvin. Uma das razões por que me divirto a criar esta personagem é por ser frequente não estar de acordo com ela.
Calvin é autobiográfico na medida em que reflecte sobre as mesmas questões que eu, mas tem mais a ver com o adulto que sou do que com a criança que fui. Muitos dos problemas com que se debate são metáforas dos meus. Suspeito que a maioria das pessoas envelhece sem ter crescido e que dentro de cada adulto (por vezes não muito no fundo) há um fedelho caprichoso. Utilizo o Calvin como um escape para a minha imaturidade, como uma maneira de preservar a minha curiosidade pela natureza, como uma forma de ridicularizar as minhas obsessões e de fazer comentários sobre a natureza humana. Não gostaria de ter um Calvin em casa, mas, no papel, ele ajuda-me a pôr ordem na minha vida e a compreendê-la." 

Bill Watterson



HOBBES
Tem o nome de um filósofo do século XVII que tinha uma perspectiva pessimista da natureza humana. Caracteriza-se pela dignidade paciente e o senso comum da maioria dos animais na perspectiva do autor. É inspirado numa rafeira cinzenta chamada Sprite (de Bill Waterson) - esta tinha o corpo longo e as características faciais de Hobbes, mas também serviu de modelo para a sua personalidade. Com bom feitio, inteligente, simpática e entusiasta nas emboscadas que fazia e nos saltos que dava. A ideia de Hobbes à espera de Calvin à porta, em pleno ar e a alta velocidade é inspirada em Sprite.
Hobbes tem uma postura vertical e fala, mas ao mesmo tempo o seu lado felino é preservado, tanto no comportamento como na atitude física.
Hobbes não é um boneco de peluche que miraculosamente adquire vida quando Calvin está por perto. Tal como o Hobbes-tigre não é fruto da imaginação do Calvin. Calvin vê Hobbes de uma maneira enquanto todas as outras pessoas o veêm de outra. São mostradas duas versões da realidade e ambas fazem sentido para quem as vê. Hobbes tem mais a ver com a natureza subjectiva da realidade do que com os bonecos que adquirem vida.

Citações retiradas daqui.

E agora algumas pérolas:







E com esta me vou.

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