domingo, 12 de janeiro de 2014

Lisboa, sabes...




Alguém diz com lentidão: 
"Lisboa, sabes..." 
Eu sei. É uma rapariga 
descalça e leve, 
um vento súbito e claro 
nos cabelos, 
algumas rugas finas 
a espreitar-lhe os olhos, 
a solidão aberta 
nos lábios e nos dedos, 
descendo degraus 
e degraus 
e degraus até ao rio. 

Eu sei. E tu, sabias? 


Eugénio de Andrade

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Ler livros cura depressões


Foster Huntington


É a biblioterapia. Eis a notícia:

"Depressão: Reino Unido usa livros como tratamento

No Reino Unido, a prescrição de livros em vez de fármacos está a ser adotada como terapia para tratar a depressão. De acordo com os especialistas, a leitura de determinadas obras é uma forma eficiente e "low-cost" de ajudar os pacientes a ultrapassar os problemas que os atormentam sem efeitos secundários.
 
O método começou a ser utilizado em Junho, mês em que o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) arrancou com uma campanha baseada numa investigação desenvolvida em 2003 pelo psiquiatra galês Neil Frude, que concluiu que os livros tinham potencial para se assumir como um substituto eficaz dos antidepressivos.
 
À data, o cientista constatou que alguns dos seus pacientes, frustrados com o longo período de tempo - às vezes anos - que passava até sentirem os primeiros efeitos dos fármacos, começaram a ler como forma de se entreter e que, entre as várias centenas de milhares de livros de autoajuda impressos no Reino Unido, alguns títulos traziam, realmente, benefícios a quem os lia.
 
A divulgação desta nova campanha foi feita recentemente por Leah Price, investigadora e professora da Universidade de Harvard, num artigo publicado no jornal The Boston Globe. Segundo Price, a iniciativa baseia-se na prescrição de livros para ajudar os pacientes com depressão a encontrar ligações com os outros e com o mundo.
 
A grande diferença é que os livros não são apenas recomendados - são prescritos como se de um fármaco se tratasse. "Se o psicólogo ou psiquiatra diagnostica o paciente com depressão leve ou moderada, uma das opções é passar-lhe uma receita com um dos livros aconselhados", uma receita que se 'avia' na biblioteca e não na farmácia.
 
"Esta parece ser uma solução vantajosa tanto para os pacientes, como para os amantes da leitura. Ler melhora a saúde mental e é difícil pensar na existência de malefícios quando se fala de um programa como este", defende a professora de Harvard.
Programa tem tido grande adesão
 
"Ao contrário dos fármacos, ler um livro não acarreta efeitos secundários como o ganho de peso, a diminuição do desejo sexual ou as náuseas (a menos que se leia no carro)", realça Price, que escreve que o programa "Books on Prescription" lançado pelo serviço de saúde britânico é apenas mais um exemplo da difusão, naquele país, da "biblioterapia".
 
Trata-se do "uso de livros selecionados com base no conteúdo e no âmbito de programas de leitura desenhados para facilitar a recuperação de pacientes que sofram de doenças mentais ou distúrbios emocionais" e que, embora não seja uma novidade, tem ganho cada vez mais adeptos.
 
O facto de este ser um programa recente ainda não deu às autoridades de saúde do Reino Unido a oportunidade de atestar a sua verdadeira eficácia mas, apesar de os especialistas garantirem que os livros não podem, em nenhuma circunstância, substituir um profissional de saúde, podem constituir-se como uma ajuda preciosa.
 
Em qualquer dos casos, a campanha aparenta estar a ter grande adesão: de acordo com os números avançados pela investigadora, nos primeiros três meses do programa, foram feitas mais de 100.000 requisições dos livros de autoajuda recomendados.
 
Saliente-se que esta não é, no Reino Unido, a única iniciativa a relacionar a saúde mental com a leitura. O Serviço Nacional de Saúde britânico financia também outras iniciativas, como a "The Reader Organization", uma associação que reune pessoas desempregadas, presos, idosos ou apenas solitários para que, todos juntos, leiam poemas e livros de ficção em voz alta".

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Estamos prestes a cortar mais uma fatia do tempo. Feliz Ano Novo!





“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante vai ser diferente.”





 
Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

É trabalho ou é lazer? / Is it work or play?

“But what is work and what is not work?  Is it work to dig, to carpenter, to plant trees, to fell trees, to ride, to fish, to hunt, to feed chickens, to play the piano, to take photographs, to build a house, to cook, to sew, to trim hats, to mend motor bicycles?  All of these things are work to somebody, and all of them are play to somebody.  There are in fact very few activities which cannot be classed either as work or play according as you choose to regard them."

 

George Orwell

sábado, 14 de dezembro de 2013

10 citações literárias sobre o Natal / 10 literary quotes about Christmas




One can never have enough socks. Another Christmas has come and gone and I didn’t get a single pair. People will insist on giving me books.

J.K. Rowling, Harry Potter and the Sorcerer’s Stone



A lovely thing about Christmas is that it’s compulsory, like a thunderstorm, and we all go through it together.

Garrison Keillor, Leaving Home



What kind of Christmas present would Jesus ask Santa for?

Salman Rushdie, Fury



It was the beginning of the greatest Christmas ever. Little food. No presents. But there was a snowman in their basement.

Markus Zusak, The Book Thief



It struck him that how you spent Christmas was a message to the world about where you were in life.

Nick Hornby, About a Boy



I don’t want Christmas season to end, because it’s the only time I can legitimately indulge in on particular addiction: glitter.

Eloisa James, Paris in Love



Miracles happen on Christmas, Pat. Everybody knows that shit.

Matthew Quick, The Silver Linings Playbook



Christmas is like candy; it slowly melts in your mouth sweetening every taste bud, making you wish it could last forever.

Richelle E. Goodrich, Smile Anyway




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