J. Theodore Johnson (1902-1963),1934
terça-feira, 23 de outubro de 2012
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
"O livro que não leste", por António Moura
Daniela Zekina
“O livro que não leste permanece
ali, fechado – barco vazio, fantasma
da ilusória realidade ancorado à beira
do precipício entre sonho e vigília,
palácio de ar adornado por dentro
com flores negras letras sobre o sujo
dourado do pensamento – caixa de
pandora repleta de esperanças perdidas,
reino sem rei onde estão adormecidas
solidões, tragédias, corações de cristal,
rostos embrutecidos, anseios, seios
nas mãos que procuram sugar o leite
do destino nulo a cada fim de jornada,
que se desenrola em vão como a escrita
sobre este papiro de areia, mudo
papel que um ator bêbado diz para
uma platéia de cegos, surdos e ausentes
O livro que não leste permanece ali
calado, câmara escura à espera
de tua sempre lâmpada ardente”
Antonio Moura, “in memorian Benedito Nunes”
dourado do pensamento – caixa de
pandora repleta de esperanças perdidas,
reino sem rei onde estão adormecidas
solidões, tragédias, corações de cristal,
rostos embrutecidos, anseios, seios
nas mãos que procuram sugar o leite
do destino nulo a cada fim de jornada,
que se desenrola em vão como a escrita
sobre este papiro de areia, mudo
papel que um ator bêbado diz para
uma platéia de cegos, surdos e ausentes
O livro que não leste permanece ali
calado, câmara escura à espera
de tua sempre lâmpada ardente”
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Primeiro a tua mão sobre o meu seio
Primeiro a tua mão sobre o meu seio
Primeiro a tua mão sobre o meu seio.
Depois o pé - o meu - sobre o teu pé.
Logo o roçar urgente do joelho
e o ventre mais à frente na maré.
É a onda do ombro que se instala.
É a linha do dorso que se inscreve.
A mão agora impõe, já não embala
mas o beijo é carícia, de tão leve.
O corpo roda: quer mais pele, mais quente.
A boca exige: quer mais sal, mais morno.
Já não há gesto que se não invente,
ímpeto que não ache um abandono.
Então já a maré subiu de vez.
É todo o mar que inunda a nossa cama.
Afogados de amor e de nudez
Somos a maré alta de quem ama
Por fim o sono calmo, que não é
Senão ternura, intimidade, enleio:
O meu pé descansando no teu pé,
A tua mão dormindo no meu seio.
Rosa Lobato Faria in Cem Poemas Portugueses no Feminino (Terramar, 2005)
e o ventre mais à frente na maré.
É a onda do ombro que se instala.
É a linha do dorso que se inscreve.
A mão agora impõe, já não embala
mas o beijo é carícia, de tão leve.
O corpo roda: quer mais pele, mais quente.
A boca exige: quer mais sal, mais morno.
Já não há gesto que se não invente,
ímpeto que não ache um abandono.
Então já a maré subiu de vez.
É todo o mar que inunda a nossa cama.
Afogados de amor e de nudez
Somos a maré alta de quem ama
Por fim o sono calmo, que não é
Senão ternura, intimidade, enleio:
O meu pé descansando no teu pé,
A tua mão dormindo no meu seio.
Rosa Lobato Faria in Cem Poemas Portugueses no Feminino (Terramar, 2005)
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Estou assustada com o estado deste país!
Como vai ser a vida dos portugueses no próximo ano ( e a minha e da minha família), com as medidas de austeridade que constam no novo orçamento de estado?
sábado, 13 de outubro de 2012
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Temos de parar de ser tão sensíveis em relação ao nosso governo...
Cate Blanchett fotografada por Annie Leibovitz.
Mais uma crónica contundente de Ricardo Araújo Pereira:
"O aluno do ISCSP que terá assobiado e insultado o primeiro-ministro foi
alvo de um inquérito disciplinar. Aqui está um procedimento
potencialmente arriscado. Dêmos graças a Deus pelo numerus clausus,
porque se todo o povo português pudesse frequentar o ISCSP, a Portucel
não conseguiria produzir resmas suficientes para registar tanto
processo. Impossibilitado pelo regulamento académico de inquirir toda a
população de Portugal, o presidente do ISCSP teve de contentar-se com
uma única inquirição.
(...)
Infelizmente, as notícias sobre o caso não revelam o teor do insulto
proferido. Numa altura em que milhares de cidadãos se manifestam com
sanha, gritam palavras de ordem azedas, concebem cartazes obscenos e
ainda injuriam avulsamente no dia-a-dia, um rapaz de 20 anos consegue
congeminar um insulto que se destaca de todos os outros. Que estupenda
ignomínia foi essa?
(...)
Em defesa do estudante, tem sido dito que o governo também insulta os
portugueses. E deu-se como exemplo a recente intervenção de António
Borges, segundo o qual os empresários portugueses críticos da TSU não
passariam do primeiro ano do curso que lecciona na universidade. Ora,
sucede que isto não é um insulto. António Borges não está a sugerir que
os empresários não seriam capazes de obter a licenciatura. Não passar do
primeiro ano não impede ninguém de tirar o curso. Miguel Relvas não
passou do primeiro ano e nem por isso deixou de se licenciar. Temos
mesmo de parar de ser tão sensíveis".
Leia na íntegra AQUI.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
"Brincações" de Mia Couto com a Língua Portuguesa
Eis algumas divertidas "Brincações" de Mia Couto com a Língua Portuguesa:
Um gordo, tipo barril, é um barrilgudo?
Borboleta que insiste em ser ninfa: é ela a tal ninfomaníaca?
O mato desconhecido é que é o anonimato?
A diferença entre um às no volante ou um asno volante é apenas de ordem fonética?"
"Não tendo sucedido em Maio mas em Março o que ele teve foi um desmaio ou um desmarço?
Um gordo, tipo barril, é um barrilgudo?
Borboleta que insiste em ser ninfa: é ela a tal ninfomaníaca?
Tristeza do boi vem dele não se lembrar que bicho foi na última reencarnação. Pois se ele, em anterior vida, beneficiou de chifre o que está ocorrendo não é ultima reencornação?
O mato desconhecido é que é o anonimato?
A diferença entre um às no volante ou um asno volante é apenas de ordem fonética?"
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
A vulnerabilidade por Madeleine L'Engle / Vulnerability by Madeleine L'Engle
Woody Allen como Charlie Chaplin, 1972, fotografia de Irving Penn.
"When we were children, we used to think that when we were grown-up we would no longer be vulnerable. But to grow up is to accept vulnerability... To be alive is to be vulnerable".
Madeleine L'Engle
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Duas citações de Mia Couto: o livro enquanto canoa e o silêncio da paixão total
"Agora ela sabia: um livro é uma canoa. Esse era o barco que lhe faltava em Antigamente. Tivesse livros e ela faria a travessia para o outro lado do mundo, para o outro lado de si mesma".
"Quando se faz amor assim, de paixão total, fica-se longe das palavras. O encantamento é uma casa que tem o silêncio por teto".
Mia Couto
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Uma questão de idade / The age issue
"Age is an issue of mind over matter. If you don't mind, it doesn't matter".
Mark Twain
sábado, 6 de outubro de 2012
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
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