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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Os esquemas em pirâmide chegaram aos livros

Jeanne Mammen



"Os sistemas de pirâmide mais conhecidos são os financeiros, mas existem também redes semelhantes para trocas de livros. Pode-se entrar com um livro e ganhar 36.

O sistema da pirâmide é um método já conhecido que permite entrar com pouco e sair com muito. Este sistema costuma ser utilizado para (tentar) ganhar dinheiro, mas agora anda a circular uma versão com livros. O esquema é simples: seis pessoas enviam um livro por correio a alguém e, em troca, recebem 36 livros sobre o tema de sua preferência.

Estas “árvores dos livros” começaram a criar burburinho nas redes sociais em 2015, altura em que começaram a circular mensagens como esta: “Estou à procura de seis pessoas de qualquer idade que queiram participar numa troca de livros. A única coisa que é preciso fazer é enviar um livro (não necessariamente novo, mas em bom estado) a uma pessoa por correio. Como resultado receberão 36 livros da temática que vos interesse (sim, leste bem, 36). Comentem se estão interessados para mandar-vos as instruções por mensagem privada.”

Os números podem parecer estranhos, mas este é um sistema piramidal como outro qualquer. Para obter resultados é necessário recrutar novos membros que, por sua vez, também recrutem outros tantos elementos para o grupo. Os sistemas não são novos e o seu resultado é sempre o mesmo: mais cedo ou mais tarde acabam sempre por falhar: as únicas pessoas que conseguem tirar proveito são as que entraram primeiro para o esquema, estando por isso no topo da pirâmide.

A única diferença desta pirâmide para as que funcionam com dinheiro é que as pessoas que as criam são, provavelmente, mais bem-intencionadas. Passam a maior parte do tempo a gerir mensagens, comentários e queixas dos membros da cadeia, muitas vezes sem receber nada em troca (quando muito 36 livros). Estas redes que antes eram administradas por via postal, agora são organizadas na internet em comunidades online muito ativas. Isto permite que o recrutamento seja muito mais simples. Muitas das vezes os elementos não têm que fazer grandes esforços para divulgar a iniciativa e é a própria administração do grupo que trata de criar correspondência com novos membros que se mostrem interessados em participar no esquema.

Mas, à medida que o esquema vai progredindo, torna-se cada vez mais difícil angariar novos membros. Porque, a partir de certo ponto, o número de membros necessários para alimentar esta cadeia ultrapassa a população mundial. Como se explica neste esquema:

Nível 1: (que não dá livros a ninguém ou pode fingir que já está dentro de uma cadeia e oferecer um livro a alguém da sua preferência)
Nível 2: 6 pessoas
Nível 3: 36 pessoas
Nível 4: 216 pessoas
Nível 5: 1.296 pessoas
Nível 6: 7.776 pessoas
Nível 7: 46.656 pessoas
Nível 8: 279.936 pessoas
Nível 9: 1.679.616 pessoas
Nível 10: 10.077.696 pessoas
Nível 11: 60.466.176 pessoas

Quem entra na corrente quando ela já vai no nível 7, precisa que entrem 1.679.616 novos membros e que cada uma dessas pessoas envie um livro para poder receber alguma coisa. Isto porque não se recebe os livros do nível seguinte, mas sim de dois níveis depois. No nível 14 é preciso que participem mais de treze mil milhões de pessoas – mais que população mundial. Este limite pode ser atrasado se se diminuir o número de novos membros necessários mas, inevitavelmente, chega sempre a altura em que o sistema se torna incomportável.

Estes mecanismos são aliciantes pela sua simplicidade e vão continuar a existir, mas é preciso ter atenção, já que esta estrutura só funciona nos primeiros níveis e são mais as pessoas que perdem que as que ganham. E as que ganham fazem-no à custa de todos aqueles que não receberam nada".


segunda-feira, 4 de maio de 2015

BIBLIOCASA: Serviço Domiciliário de Apoio à Leitura em Loulé


A Biblioteca Municipal Sophia de Mello Breyner Andresen, em Loulé, arrancou no mês de Março com o projecto BIBLIOCASA, um serviço domiciliário de apoio à leitura para munícipes com limitações de mobilidade, permanentes ou temporárias.

O objectivo é garantir às pessoas condicionadas por limitações de mobilidade, ainda que temporárias, um serviço de leitura pública adaptado às necessidades especiais dos seus utentes no que diz respeito ao acesso à informação e ao uso da documentação.

O BIBLIOCASA disponibiliza, em regime de empréstimo, livros, DVDs, VHSs, CDs, jogos e CD-Roms, faz serviço de entrega, procede à recolha de livros e outros documentos, e presta serviço de informação à comunidade.

Os utilizadores podem – autonomamente ou apoiados por funcionários da Biblioteca através da internet – consultar, nas suas casas, a base de dados da Biblioteca Municipal e seleccionar os documentos que desejam para empréstimo.

Para aderir a este serviço os interessados deverão preencher e fazer chegar à Biblioteca Municipal (via email biblioteca@cm-loule.pt ou correio para Rua José Afonso-8100 Loulé) um inquérito para se poder proceder à avaliação e selecção dos leitores que o BIBLIOCASA integrará. Estes inquéritos estão disponíveis na Biblioteca ou nos seus Pólos, através de email ou por telefone (289 400 850).
Ana Viegas

Fonte: BAD

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Ebooks ajudam disléxicos




"As pessoas com dislexia têm a leitura facilitada nos aparelhos electrónicos como smartphones ou ebooks, devido às linhas de frases serem mais curtas do que nos livros tradicionais.

A conclusão é de um estudo do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, nos EUA, e foi publicado na revista “PLoS ONE” Os cientistas compararam a velocidade de leitura de 100 voluntários com dislexia em livros de papel e em ebooks. Verificou-se que os leitores tinham mais facilidade em ler nos aparelhos eletrónicos, assim c0mo uma melhor compreensão do texto. Este facto não tem a ver com os aparelhos em si, mas com o modo como o texto é apresentado.

Os investigadores explicam que linhas curtas, com menos palavras, podem ajudar alguns leitores disléxicos a concentrar-se em palavras individuais, abstraindo-se do resto do texto que poderia distraí-los".

Fonte: Pais&filhos

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Estudo comprova que leitura modifica a estrutura do cérebro. Para melhor, obviamente!



"A maioria das pessoas já sabe os benefícios que a leitura traz para o cérebro: aumento da capacidade de manter a atenção, aumento do vocabulário, entre outras coisas. Entretanto, um estudo recente realizado pela Emory University, nos Estados Unidos, chegou a um resultado surpreendente: ler muito pode mudar a estrutura cerebral.

Estudos passados mostraram como cérebro se comporta durante a leitura. Agora, os pesquisadores Gregory S. Berns, Kristina Blaine, Michael J. Prietula e Brandon E. Pye quiseram entender se o hábito de ler pode trazer modificações mais permanentes ao cérebro. Eles desenvolveram um processo de leitura com estudantes da Emory University: um grupo misturou romances com livros relacionados aos seus cursos, e o outro grupo leu somente estudos e obras acadêmicas.
Após o fim da pesquisa, o resultado foi maior do que eles imaginavam. Os alunos que criaram o hábito de ler diferentes tipos de obras desenvolveram uma alta conectividade no córtex temporal esquerdo, área responsável pela assimilação da linguagem. Isso significa que eles conseguiam compreender e processar o que estava escrito de maneira mais rápida e completa do que pessoas que não possuíam o hábito de ler.

Além disso, as conectividades do córtex temporal esquerdo fazem com que o cérebro consiga conectar ideias (palavras) com as sensações que elas representam. Ou seja: ao lerem a palavra “correr”, os participantes que liam mais conseguiam sentir as sensações de uma corrida de maneira mais eficaz do que os outros.

A conclusão que os pesquisadores chegaram é que pessoas que possuem o hábito de ler conseguem sentir uma empatia maior com os personagens dos livros e, por isso, vivenciar uma experiência mais forte com a leitura".


quarta-feira, 21 de maio de 2014

"Livros são os que melhor aguentam a quebra do mercado de entretenimento" em Portugal!


s. id.



"A venda de livros em Portugal (excluíndo os manuais escolares) teve uma ligeira queda de 1% ao longo do ano passado, fechando 2013, segundo dados da analista GfK, com uma facturação de 147 milhões de euros. Feitas as contas também às descidas na música, filmes e videojogos, este foi o sector que menos se ressentiu".

Leia mais AQUI.

sábado, 29 de junho de 2013

Seis escritores portugueses vão dar continuidade a «Os Maias» de Eça de Queiroz: cuidado, quem te avisa amigo d'Eça é!




Este é um projecto muito ambicioso, vejam lá que escritores escolhem/escolheram, porque tentar pegar na pena de Eça é uma responsabilidade "do caraças". Ninguém escreve como ele, tão bem, com uma ironia tão fina...essa é que é Eça!

O romance «Os Maias», de Eça de Queiroz, vai ser continuado por seis escritores portugueses, numa narrativa que irá de 1888 a 1973.

«Os novos Maias» inicia-se precisamente no ano seguinte ao que Eça de Queiroz terminou o seu romance com uma cena em que Carlos da Maia e o amigo João da Ega afirmam que «não vale a pena correr para nada» e acabam por correr para apanhar um elétrico que os leve a um jantar para o qual estão atrasados.
A iniciativa de dar continuidade à obra-prima de Eça de Queiroz, é do semanário Expresso que comemora 40 anos, contando com o apoio da Fundação Eça de Queiroz, e os escritores convidados são José Luís Peixoto, José Eduardo Agualusa, Mário Zambujal, José Rentes de Carvalho, Gonçalo M. Tavares e Clara Ferreira Alves.
A partir de 03 de agosto com a edição do semanário é publicado um fascículo de «Os novos Maias».
«Os Maias terminam com o regresso de Carlos da Maia a Portugal e o assumir de que foi um falhado da vida, agora é a hora de perceber o que aconteceu depois», disse à Lusa fonte do semanário.
«A cada autor foi destinado um período de tempo histórico e cada capítulo tem como pivô a personagem Carlos da Maia. Cada um será responsável por o encadear da história até ao ano de 1973, em vésperas do 25 de abril, e no ano em que foi fundado o semanário», disse a mesma fonte.
O romance de Eça de Queiroz foi publicado em 1888 no Porto, e a par da saga de uma família narra o amor incestuoso entre Carlos da Maia e Maria Eduarda. O romance de Eça decorre na segunda metade do século XIX, e tem por fundo a história de três gerações da família Maia, que tinha o palacete «O Ramalhete», às Janelas Verdes, em Lisboa, e ainda várias quintas, entre elas, uma em Benfica e outra na Tojeira, que venderam, e a de Santa Olávia, na região de Resende, próxima do rio Douro.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Está a ser criada a primeira biblioteca sem livros, inspirada pela biografia de Steve Jobs

"A cidade de Bexar Country, no Texas, receberá a BiblioTech, a primeira biblioteca sem livros físicos. Todos os títulos estarão disponíveis apenas em versões digitais.

Funcionará assim: o indivíduo poderá ir ao local, pegar um e-reader e levá-lo para casa. Será possível ficar com o equipamento durante duas semanas – depois disso, será bloqueado. É claro que, para evitar furtos, cada um deverá deixar o seu endereço e uma série de informações pessoais. Na biblioteca ainda haverá computadores para uso.

A instituição foi idealizada pelo juiz Nelson Wolff, que tem mais de mil livros na sua casa. Segundo ele, o conceito foi inspirado pela biografia de Steve Jobs.

«Se quiser ter uma ideia de como se parecerá, vá à Apple Store», disse o idealizador ao jornal San Antonio Express.
 
Cada e-reader deverá custar 100 dólares ao governo. O acesso aos primeiros 10 mil livros deverá custar cerca de 250 mil dólares.
 
A ideia da BiblioTech não é substituir as bibliotecas comuns, mas sim funcionar como um complemento. Afinal de contas, segundo Wolff, haverá sempre procura pelos livros físicos".
 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Lançamento do "Dicionário de personagens da obra de José Saramago"




O Dicionário de personagens da obra de José Saramago, de Salma Ferraz, é apresentado no próximo dia 23 (julho), no auditório da Casa dos Bicos, em Lisboa, anunciou a Fundação José Saramago. No comunicado enviado, a Fundação afirma que o dicionário foi “elaborado ao longo de 15 anos” pela investigadora brasileira, e conta com a contribuição de 15 colaboradores e 68 investigadores.

Fonte: RBE

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Ler é uma necessidade humana / Humans have the need to read


Um estudo científico revela que a leitura é uma necessidade humana. Daí que os avanços tecnológicos ou a situação de crise não levem a que as pessoas ponham os livros de lado. Em papel ou em formato digital, ler continua a ser uma prioridade.

«Why should we bother reading a book? All children say this occasionally. Many of the 12 million adults in Britain with reading difficulties repeat it to themselves daily. But for the first time in the 500 years since Johannes Gutenberg democratised reading, many among our educated classes are also asking why, in a world of accelerating technology, increasing time poverty and diminishing attention spans, should they invest precious time sinking into a good book?

The beginnings of an answer lie in the same technology that has posed the question. Psychologists from Washington University used brain scans to see what happens inside our heads when we read stories. They found that "readers mentally simulate each new situation encountered in a narrative". The brain weaves these situations together with experiences from its own life to create a new mental synthesis. Reading a book leaves us with new neural pathways.

The discovery that our brains are physically changed by the experience of reading is something many of us will understand instinctively, as we think back to the way an extraordinary book had a transformative effect on the way we viewed the world. This transformation only takes place when we lose ourselves in a book, abandoning the emotional and mental chatter of the real world. That's why studies have found this kind of deep reading makes us more empathetic, or as Nicholas Carr puts it in his essay, The Dreams of Readers, "more alert to the inner lives of others".»

Leia o resto do artigo do jornal The Guardian AQUI.

segunda-feira, 5 de março de 2012

A cobertura jornalística da história dos 3 porquinhos / Three Little Pigs on The Guardian







Uma campanha do jornal The Guardian que mostra como este jornal faria a cobertura da história dos 3 porquinhos quer na edição impressa quer on-line, das manchetes às discussões nas redes sociais.

Mais AQUI e AQUI.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Entrevista de trabalho? Não, basta uma análise de 10 min. ao teu perfil no Facebook



"Passar dez minutos a ler posts, a ver fotografias e a conhecer os gostos pessoais de um utilizador do Facebook diz mais sobre as pessoas do que os testes tradicionais feitos em entrevistas de emprego".

Esta é a conclusão de um estudo realizado pela Universidade do Illinois. Leia AQUI.

JK Rowling vai publicar livro para adultos

"JK Rowling prepara-se para publicar o primeiro livro para adultos.

 “O meu próximo livro será muito diferente da coleção Harry Potter. A liberdade para explorar novos territórios foi um presente que ganhei com o êxito de Harry Potter, e para este novo território, pareceu-me lógico ter um novo editor”, sublinhou J.K. Rowling. Lembre-se que a escritora já escreveu sete livros da saga Harry Potter, que foram publicados pelas editoras editoras Bloomsbury (Reino Unido) e Scholastic (Estados Unidos).

O livro direccionado para adultos será publicado em todo o mundo, nas versões papel e digital pelo grupo internacional Hachette Livre, mas a data e o título ainda não foram divulgados".

Fonte: ionline

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O demónio analógico continua a assombrar o universo dos livros digitais




A revista Atual, que integra o semanário Expresso, publicou em 12 de Fevereiro de 2011 um interessante artigo de António Guerreiro intitulado "O livro digital e o demónio da analogia". Aqui publico excertos. Destaquei algumas frases a negrito, aquela que oferece a resposta à questão frequentemente colocada: Para que servem os bibliotecários na era do digital e da internet? 
As promessas contidas no livro digital exercem um grande fascínio, mas maior é a resistência do livro impresso e não se vislumbra a sua morte.

Há quase meio século, escutou-se pela primeira vez a profecia da morte do livro impresso. Foi em 1962, e o profeta tinha nome que haveria de soar a visionário: Marshall McLuhan.
 
Reiterada de tempos a tempos, reativada como um programa inevitável a partir do momento em que a Internet e os motores de busca passaram a fazer parte do quotidiano, em meados dos anos 90, a profecia não se cumpriu: a "galáxia de Gutenberg" não passou a ser uma coisa do passado, e a espécie do Homo typographicus continuou a crescer e a multiplicar-se, ainda que a sua condição seja agora híbrida, já que passou também a responder - e todos nós sabemos com que solicitude e velocidade - às solicitações da era digital.

Certo é que o caudal dos livros que se folheiam com os dedos, os livros impressos, não parou de aumentar. Robert Darnton (ver bibliografia no final do artigo), um dos mais importantes historiadores do livro e diretor da Biblioteca Universitária de Harvard, fornece os números desta marcha progressiva, num tempo que se esperava ser de abrandamento: em 1998 foram publicados em todo o mundo 700.000 novos títulos, em 2003 foram 859.000 e em 2007 foram 976.000.

Em suma, o mais velho instrumento de leitura - o códex - não apenas não foi expulso (de acordo com a velha teoria de que um novo meio de comunicação nunca exclui completamente o anterior) como manteve a sua posição de domínio absoluto.

(...)

As razões da perenidade deste aparelho extraordinário encontram-se nestas características: armazena muita informação em pouco espaço, arruma-se e transporta-se facilmente, tem um formato que o torna bastante manuseável, e a matéria de que é feito - o papel - não encontrou rival na capacidade de preservação (um dos receios mais justificados que os suportes digitais suscitam é o de estarem longe de garantir uma tal longevidade).
 
(...)

E dá-se, ao mesmo tempo, uma revolução da leitura, pois ler num ecrã não é o mesmo que ler num códex. A representação eletrónica dos textos modifica-os totalmente: a materialidade do livro dá lugar à imaterialidade do texto sem lugar próprio; e as relações de contiguidade impostas pela técnica de sucessão das páginas impressas (o que impõe uma leitura linear) opõe-se a uma livre composição fragmentária a que o digital convida.

Como observou Roger Chartier, estas mutações comandam inevitavelmente novas técnicas intelectuais.

Mas a razão pela qual os livros digitais não cumpriram exatamente o percurso triunfal que lhes tinha sido prometido no momento em que entraram em cena não tem a ver com resistências racionalmente elaboradas em função de danos e conveniências previsíveis, mas sim com hábitos, sensações e vícios incrustados no corpo e no cérebro do leitor pela civilização do livro impresso.

(...)

Mas há também uma disposição sensorial que o brilho do ecrã não satisfaz: aquela que retira prazer do cheiro e da textura do papel, das formas da encadernação.
 
De tal modo que um editor francês de livros eletrónicos (CaféScribe) tentou superar esta resistência fornecendo aos seus clientes um autocolante, para eles colocarem no computador, que emite um odor a papel.

Pode-se objetar que estes atavismos são próprios de quem se habituou à leitura nos livros impressos mas não contaminam quem se iniciou e cresceu com os computadores.

Mas, neste caso, há uma última e importante resistência que não foi ainda superada: o ecrã revela-se apto para uma leitura fragmentária e condensada, não para a leitura contínua e linear (os links da Internet levam esta aptidão ao paroxismo).

Causou algum frisson a seguinte afirmação de Bill Gates, o presidente da Microsoft: "A leitura no ecrã é ainda muito inferior à leitura no papel. Mesmo eu, que tenho ecrãs de alta qualidade e me vejo como pioneiro do modo de vida Internet, assim que um texto ultrapassa quatro ou cinco páginas, imprimo-o e gosto de o ter comigo e de o anotar. É uma verdadeira dificuldade para a tecnologia chegar a este grau de comodidade."

(...)

Parece então - e este é um ponto importante - que o modelo de leitura a que o livro desde sempre fez apelo, e que implica, entre outras coisas, um tempo próprio, não é o mesmo modelo de leitura e de operações a que induz a rede e o ecrã.
 
É por isso que os leitores de ebooks têm evoluído à medida desta determinação paradoxal: os ebooks são tanto mais perfeitos e considerados eficazes quanto mais imitam os livros.
 
Assombradas por um demónio analógico, estas manifestações supremas do mundo digital aplicam-se a proporcionar ao leitor a sensação de que está perante um novo avatar do livro impresso, que pode folhear as páginas com as pontas dos dedos, escutar o ruído do atrito no papel, sublinhar e escrever nas margens...
 
Os livros digitais parecem ter como preocupação primeira adaptar-se aos leitores do livro impresso. Percebem-se assim as razões pelas quais se extinguiram as profecias da morte do livro e se multiplicaram as apologias, como aquelas que fazem Umberto Eco e Robert Darnton.
 
Este último reserva para o livro digital um futuro que passa por jornais e revistas, incluindo revistas científicas e monografias especializadas.

(...)

Mas, mais uma vez, é sobretudo aos mais dedicados leitores do livro impresso que se dirige o livro digital, numa situação de complementaridade e não de exclusão.
 
Darnton vai mais longe: mostra como as bibliotecas de investigação se tornaram ainda mais necessárias na época do "Google Book Search" e que, sem elas, a digitalização de milhões de livros que a Google já levou a cabo pode redundar no caos bibliográfico em que não é possível aferir a autoridade da cópia digitalizada.
 
Imaginemos, por exemplo, um livro que foi sendo alterado e acrescentado pelo autor em sucessivas edições.

A Google digitaliza-as todas? Digitaliza só a última, suprimindo as várias etapas que a ela conduzem?

A Google, sublinha Robert Darnton, tem ao seu serviço um exército de informáticos, mas não consta que nas suas fileiras haja um único bibliógrafo ou filólogo.

(...)

NOTA - Para a elaboração deste artigo, foi usada a seguinte bibliografia: Robert Darnton, "The Case for Books. Past, Present and Future" (2009); Nicholas Carr, "The Shallows. What the Internet Is Doing to Our Brains" (2010); Roger Chartier, "Histoires de la lecture. Un bilan des recherches" (1995); Hans Blumenberg, "Die Lesbarkeit der Welt" (1979; ed. italiana "La leggibilità del mondo").


Bom artigo.
Leia na íntegra AQUI.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Não consuma drogas, beije muito, apaixone-se e o efeito é o mesmo! :)

O Cupido de Kenyon Cox (1856 – 1919)

A bióloga norte-americana Sheril Kirshenbaum afirma, no seu livro "The Science of Kissing.", que o beijo tem um efeito semelhante no cérebro a uma dose de cocaína:

"A tese não é nova, já que nos últimos anos vários investigadores têm demonstrado que a paixão resulta de um cocktail de químicos semelhantes aos libertados pelo consumo de droga, que actuam nas zonas de gratificação do cérebro.

Helen Fisher, especialista em biologia antropológica da Universidade Rutgers, New Jersey, tem sido uma autora prolífica. Allen Gomes sublinha que, apesar de uma comparação directa entre um beijo e uma dose de cocaína poder ser excessiva, Fisher demonstrou existir uma grande proximidade entre as zonas do cérebro atingidas por uma e outra. "Tem que ver sobretudo com a dopamina e parece ser esta a base para o amor ser uma motivação natural", diz o psiquiatra. "Mas se analisarmos, o ódio também acontece perto do amor e a felicidade perto da raiva."

Kirshenbaum, citada este fim-de-semana pelo jornal espanhol "El País", explicava que o facto de a dopamina disparar durante um beijo apaixonado, como acontece no consumo de cocaína, pode explicar os "pensamentos obsessivos associados a um novo romance". "Faz-nos querer mais e sentimo-nos carregados de energia. Sob o seu efeito, perdemos o apetite, temos dificuldade em dormir e de-senvolvemos comportamentos erráticos." Allen Gomes ajuda a diagnosticar: "Como lhe chamou Fisher, a paixão é uma dependência agradável se for correspondida e privativa se houver rejeição."

Dopamina, ocitocina, adrenalina e serotonina são algumas das substâncias produzidas pelos neurónios já associadas à paixão. Com base em níveis acima da média quando se está apaixonado, muitos tentaram já impor um prazo de validade ao encantamento: seis meses a dois anos. Num artigo publicado recentemente na revista "Bipolar", Allen Gomes rejeita a limitação: "Casais com ligações de mais de 20 anos e que se declaram ainda apaixonados mostram activações cerebrais semelhantes aos casais a viverem os primeiros estádios da paixão. Quer dizer que a paixão não tem de ser necessariamente breve. Breve será, por definição, o turbilhão emocional que a acompanha." Kirshenbaum pede mais investigação nesta área: o grosso das cobaias têm sido "jovens universitários em pleno despertar sexual", disse ao "El País".

No final do ano passado, um estudo publicado por Stephanie Ortigue, da Universidade Syracuse, revelou que a activação destes circuitos numa situação de paixão demora um quinto de segundo. Segundo a investigadora, além da resposta eufórica, a paixão também incide sobre áreas intelectuais, por exemplo as que processam a imagem corporal".


Artigo de Marta F. Reis , publicado hoje no Jornal i. Leia na íntegra AQUI.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Os e-readers conquistaram os leitores mais jovens / E-Readers finally caught younger eyes



Aqui ficam alguns excertos de um artigo de Julie Bosman para o New York Times, em 4 de Fevereiro de 2011:



In their infancy e-readers were adopted by an older generation that valued the devices for their convenience, portability and, in many cases, simply for their ability to enlarge text to a more legible size. Appetite for e-book editions of best sellers and adult genre fiction — romance, mysteries, thrillers — has seemed almost bottomless.

But now that e-readers are cheaper and more plentiful, they have gone mass market, reaching consumers across age and demographic groups, and enticing some members of the younger generation to pick them up for the first time.

“The kids have taken over the e-readers,” said Rita Threadgill of Harrison, N.Y., whose 11-year-old daughter requested a Kindle for Christmas.

(...)

Digital sales have typically represented only a small fraction of sales of middle-grade and young-adult books, a phenomenon usually explained partly by the observation that e-readers were too expensive for children and teenagers.

Another theory suggested that the members of the younger set who were first encouraged to read by the immensely popular Harry Potter books tended to prefer hardcover over any other edition, snapping up the books on the day of their release. And anecdotal evidence hinted that younger readers preferred print so that they could exchange books with their friends.

That scene may be slowly replaced by tweens and teenagers clustered in groups and reading their Nooks or Kindles together, wirelessly downloading new titles with the push of a button, studiously comparing the battery life of the devices and accessorizing them with Jonathan Adler and Kate Spade covers in hot pink, tangerine and lime green.

(...)

“There’s something I’m not sure is entirely replaceable about having a stack of inviting books, just waiting for your kids to grab,” Ms. Garcia said. “But I’m an avid believer that you need to find what excites your child about reading. So I’m all for it.”



Pode ler este artigo na íntegra AQUI.



segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O cérebro de um adulto muda tanto como o de uma criança, quando aprende a ler!!!


Cientistas e voluntários portugueses participaram num estudo internacional inédito sobre os efeitos da leitura no córtex cerebral, comparando analfabetos, leitores e ex-iletrados.

Quando se aprende a ler, é como se uma armada vitoriosa chegasse às costas desprevenidas do nosso cérebro. Muda-o para sempre, conquistando territórios que eram utilizados para processar outros estímulos - para reconhecer faces, por exemplo - e estendendo a sua influência a áreas relacionadas, como o córtex auditivo, para criar a sua própria fortaleza: uma nova zona especializada, a Área da Forma Visual das Palavras. Isto acontece sempre, quer se tenha aprendido a ler aos seis anos ou já na idade adulta.

Esta é uma das conclusões de um estudo internacional publicado hoje na edição online da revista Science, em que participaram cientistas portugueses - e voluntários portugueses também, pessoas que aprenderam a ler já tarde na vida.

"Este é o primeiro trabalho que compara o cérebro de pessoas letradas e analfabetas, mas também de ex-iletradas (que aprenderam a ler em adultos)", explica José Morais, professor jubilado de Psicologia da Universidade Livre de Bruxelas e um dos autores do artigo.


Leia na íntegra esta notícia do Jornal Público, publicada em 12 de Novembro de 2010, AQUI.



domingo, 14 de novembro de 2010

Escritores vão ter pacote de “benefícios sociais”


A Associação Portuguesa de Escritores (APE) apresenta hoje o programa de Benefícios Sociais do Escritor, uma iniciativa que dará aos sócios da APE descontos numa série de serviços nas áreas da saúde, cultura, turismo e lazer e comércio.

Leia AQUI a notícia publicada no Jornal Público em 9 de Novembro de 2010.

domingo, 7 de novembro de 2010

Há um novo leitor de e-books concebido especialmente para ler Banda Desenhada



«Um eBook especialmente para ler quadrinhos

Leitor tem funcionalidades como zoom, marcação de páginas favoritas e diferentes tipos de fonte para ajudar na leitura de histórias em quadrinho.
 
Chamado de Color Book, o novo leitor de e-books lançado pela companhia espanhola Energy Sistem foi desenhado especialmente para fãs de história em quadrinho. O Reader possui um display colorido de LCD de 5 polegadas, com resolução 800x480, memória interna de 2, 4 ou 8GB e cartões para expandir a capacidade em até 32GB.

O produto da suporte para as principais plataformas de quadrinhos e imagem, como PDF, GIF, Jpeg e PNG. Também é possível assistir vídeos e ouvir músicas enquanto se lê, já que o Reader suporta outros formatos multimídia como avi, wmv, mp3, mp4 e wma».







sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Quem tem medo do lobo mau, perdão, Lobo Antunes?

«Amado por uns, odiado por outros, reconhecido por todos. Lobo Antunes é dos escritores portugueses mais respeitado dentro e fora de portas. Já António, o homem, poucos o conhecerão. Reservado, profundo, visceral, não lhe faltam histórias polémicas, que acabam invariavelmente nos jornais. Talvez ele nem as leia: não lida bem com a crítica e não gosta de dar entrevistas porque as considera irrelevantes. Mas, mais do que tudo, porque uma história de jornal nunca passa disso, de uma história, com toda a ficção e realidade que pode conter: "Sou arrogante, mal-educado, rebelde, geralmente sou sempre o António Lobo Antunes somado a qualquer coisa desagradável. Não corresponde a nada do que sou, a nada", disse em entrevista ao Expresso o autor de "Sôbolos Rios que Vão", o seu novo livro que acaba de ser editado».


Este é um excerto de um artigo publicado hoje pelo Jornal i. Leia tudo AQUI.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Yuppi! Óptima notícia para quem compra livros pela net!

Uma notícia fantástica para quem, como eu,  encomenda livros online: A Amazon britânica vai deixar de cobrar portes de envio para 17 países. Portugal é um desses países.

Porreiro pá!


Via Bibliotecário de Babel

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